Política

Operação contra sócio de Lulinha foi vazada antes da PF agir

Decisão do STJ aponta que ação contra Carla Ariane, ex-nora de Lula, e Kalil Bittar, foi vazada antes da primeira ação da Polícia Federal em novembro de 2025

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Valentina Moreira
Kalil Bittar e Carla Ariane | Reprodução

Kalil Bittar e Carla Ariane | Reprodução

A Operação Coffee Break, que investiga um esquema de tráfico de influência no interior de São Paulo envolvendo a ex-nora do presidente Lula, Carla Ariane, e o sócio de Lulinha, Kalil Bittar, foi vazada antes de sua deflagração, em novembro de 2025. A informação consta em uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de julho deste ano, referente a um dos réus do processo.

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O documento trata de um pedido de habeas corpus do ex-secretário de Educação de Sumaré, José Aparecido Marin, e traz trechos do inquérito policial. No âmbito da Coffee Break, Marin é acusado de participar de fraudes em licitações e desvios de recursos na área da Educação.

Segundo o inquérito, às vésperas da ação policial, o ex-secretário teve uma intensa troca de mensagens com o empresário acusado de ser o principal operador do esquema. A comunicação resultou em pedidos para apagar conteúdos sensíveis dos celulares dos investigados. Além disso, Marin não foi encontrado em seu endereço no dia do cumprimento do mandado de prisão preventiva.

“Tais fatos são robustecidos pela circunstância de que MARIN não foi localizado nos endereços previamente identificados, com indícios de abandono e retirada às pressas de pertences, tendo permanecido foragido até a concessão da ordem para a expedição de contramandado de prisão”, aponta o documento.

O ex-secretário é acusado de operar a engrenagem criminosa que pagava propina a agentes públicos. O esquema teria contado com o apoio de Carla Ariane e Kalil Bittar para exercer influência no governo federal e garantir repasses de verbas aos municípios envolvidos.

Em troca da suposta atuação, Kalil Bittar teria recebido R$ 210 mil em mesadas, além de um veículo BMW 540. Ele e Carla Ariane foram alvos de busca e apreensão na primeira fase da operação Coffee Break, em novembro de 2025. A citação aos nomes ligados ao presidente resultou no pedido de abertura de um novo inquérito na Polícia Federal. Os processos tramitam sob sigilo.

O nome de Kalil voltou a ter repercussão após a publicação, pela revista Veja, de mensagens trocadas entre Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Esse outro inquérito apura suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde. Nas conversas, Lulinha se queixa a Roberta de que Kalil Bittar estaria tentando fechar, sem seu consentimento, um contrato na Telebras, então comandada por Frederico Siqueira, atual ministro das Comunicações.

A respeito da menção no material da Revista Veja, a defesa de Kalil Bittar afirma que ele não é investigado e não se envolveu com nenhuma negociação com o Ministério da Saúde. Já sobre a operação Coffee Break, a defesa dele também nega qualquer tipo de lobby dentro do MEC e afirma desconhecer qualquer tipo de investigação posterior sobre esse assunto.

José Aparecido Marin também foi procurado, sem sucesso, por meio do seu advogado. O espaço para manifestação permanece aberto.

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