Moraes diz que Mendonça protegeu aliados em sigilo do Master
Ministro faz tréplica a colega e sobe o tom ao dizer que Mendonça foi seletivo ao abrir sigilos para blindar “determinado grupo político”

Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes durante sessão plenária no STF | Antonio Augusto/STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), subiu o tom nesta sexta-feira (11) em mais uma resposta por ofício ao colega André Mendonça, relator do caso Master.
Depois de ter acusado Mendonça de seletividade no levantamento dos sigilos do processo, agora Moraes diz que a ação configurou “proteção ostensiva de determinado grupo político", sem especificar.
"O levantamento seletivo e direcionado do sigilo realizada pelo ministro André Mendonça, na proteção ostensiva de determinado grupo político, repete a ilegal conduta de direcionamento dos acordos de colaboração premiada e de determinações de diligências de investigação de ofício contra alvos predeterminados. Não cabe ao ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao colegiado para realizar seu julgamento", diz Moraes no documento encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin.
Entenda
- Quebra de sigilos: a pedido de Fachin, Mendonça retirou no fim da noite de quinta (10) o sigilo de parte dos processos da petição 15.556, ligado à Operação Compliance Zero, que investiga a teia de relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades da República e do sistema financeiro;
- Parcialidade: nesta sexta, Moraes disse em ofício que Mendonça estaria sendo seletivo e que os 15 procedimentos liberados ao público não abrangeriam todo o o material do processo, com ao menos 180 documentos ainda ocultos. Ele pediu a Fachin que determinasse a Mendonça a abertura total do sigilo;
- Fachin atende: o presidente da Corte concordou com o pedido de Moraes e da Procuradoria-Geral da República (PGR) e deu prazo de 24h para que Mendonça liberasse o sigilo dos documentos restantes;
- Mendonça rebate: em resposta, o relator disse que parte dos documentos não poderia ser divulgado porque há investigações em andamento e porque violaria o sigilo de informações pessoais dos investigados, como dados bancários e fiscais;
- Tréplica de Moraes: agora, o que Moraes diz é que Mendonça não só está sendo seletivo, como intencionalmente resistiu em liberar os sigilos para proteger um "grupo político".
















