Lula sobre prisão de Bolsonaro: "País está exercendo a democracia na mais alta plenitude"
Presidente sancionou projeto de lei que amplia para R$ 5 mil reais a faixa de renda mensal isenta do Imposto de Renda

Gabriela Vieira
Warley Júnior
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu, nesta quarta-feira (26), à decisão que decretou, na terça-feira (25), o início do cumprimento da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Durante cerimônia de sanção do projeto do Imposto de Renda (IR), o mandatário afirmou que a medida é o país "está exercendo a democracia na mais alta plenitude".
“Acusação de um golpe da quadrilha que tentou dar um golpe. Pela primeira vez você tem alguém preso por tentativa de golpe de estado. Demonstração que democracia vale pra todos. Democracia não é privilégio pra ninguém. Eu tô feliz não pela prisão de ninguém, mas que esse país está exercendo a democracia na mais alta plenitude", afirmou.
Lula sancionou nesta quarta-feira (26) o projeto de lei que amplia para R$ 5 mil reais a faixa de renda mensal isenta do Imposto de Renda e cria uma taxação mínima para pessoas de renda mais alta.
Pauta no Congresso
O relator do projeto no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), classificou a mudança como um marco na busca por justiça tributária. Ele comparou o impacto financeiro da isenção ao pagamento de um salário extra anual para os trabalhadores:
“O Imposto de Renda zero, em muitos casos, vai representar um 14º salário no bolso dos trabalhadores e das trabalhadoras. É um ganho médio anual de R$ 3.500, dinheiro que melhora a vida das famílias, movimenta a economia e corrige uma injustiça antiga. O pobre pagava 27,5% sobre o que ganhava; o rico milionário, não pagava nada ou quase nada. Isso está mudando”, disse.
Renan ressaltou que o texto foi debatido publicamente no Senado, sem alterações que beneficiassem setores privilegiados:
“Não fizemos reuniões na penumbra, não tratamos compensações às escondidas. Fizemos quatro audiências públicas, chamamos trabalhadores, especialistas, autoridades e debatemos impactos econômicos com total transparência. A motivação exclusiva foi atender ao interesse público”, acrescentou.
Durante o evento, o relator do projeto na Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), afirmou que a proposta representa “a maior transformação tributária voltada à justiça social para os trabalhadores do Brasil”. Ele destacou o esforço conjunto entre Executivo e Legislativo.
“Hoje é um dia histórico para o Brasil. Foram 493 votos favoráveis na Câmara, nenhum contrário. Esse nível de consenso expressa a responsabilidade dos deputados e deputadas com uma pauta que devolve dinheiro ao bolso de quem mais precisa. Trabalhamos com rigor técnico, ouvindo especialistas, Receita Federal e todas as forças políticas para entregar um texto moderno, responsável e socialmente justo. A isenção parcial de R$ 7.000 passou para R$ 7.350 e alcança meio milhão de brasileiros a mais, somando-se aos 15 milhões contemplados no texto original do governo”,
Ausência de Motta e Alcolumbre
O projeto precisava ser sancionado ainda este ano para entrar em vigor em 2026. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, agradeceu os presidentes da Câmara e do Senado pela condução da pauta.
“Se não fosse a diligência do presidente Hugo Motta e do presidente Davi Alcolumbre, não estaríamos celebrando hoje a implementação do imposto de renda zero. O Brasil precisa muito de lideranças capazes de colocar o bem comum acima das diferenças”.
Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), optaram por não comparecer à cerimônia de sanção do projeto de lei, realizada no Palácio do Planalto nesta quarta (26). As ausências acontecem em um momento de desgaste nas relações políticas em Brasília.
Prisão de Bolsonaro
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, nesta terça-feira (25), trânsito em julgado para Jair Bolsonaro (PL). A decisão também inclui os demais réus do núcleo 1 envolvidos na tentativa de golpe de Estado. Agora, o ex-presidente dar início ao cumprimento de sua pena, determinada em 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado em 2022.
Em resposta, Lula afirmou que "sem nenhum alarde a Justiça brasileira mostrou a sua força, não se amedrontou com as ameaças de fora e fez um julgamento primoroso onde não tem uma acusação de oposição".









