'Lula e Wagner têm relação de confiança', diz líder do PT
Líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, afirma que senador tem direito à defesa, mantém confiança de Lula e pressiona por abertura de CPMI do Master




Líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC) saiu em defesa do senador Jaques Wagner após a operação da Polícia Federal que atingiu o parlamentar.
Em entrevista ao Poder Expresso, do SBT News, nesta quinta-feira (18), Uczai afirmou que Wagner segue como homem de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tem direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
O deputado rejeitou pedidos de afastamento imediato do cargo de líder do governo no Senado e disse que a permanência é uma decisão que cabe ao presidente. Segundo ele, Lula não deve agir de forma precipitada antes da conclusão das investigações.
O deputado criticou pedidos de afastamento imediato do cargo de líder do governo no Senado e disse que a permanência é uma decisão que cabe ao presidente Lula. Segundo ele, Lula não deve agir de forma precipitada antes da conclusão das investigações.
“É uma prerrogativa do presidente. Mesmo com possível desgaste político, a manutenção mostra a confiança de Lula até que se produzam provas”, afirmou.
Uczai também reforçou a defesa da continuidade das investigações e destacou que o senador já iniciou sua defesa pública. Ele comparou o caso a críticas feitas pelo partido à Lava Jato, ressaltando a importância do devido processo legal.
Além disso, o parlamentar cobrou a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso envolvendo o Banco Master. Segundo ele, a investigação no Congresso deve avançar paralelamente ao trabalho da Polícia Federal. A pauta, porém, segue travada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que alega fragilidade em ano eleitoral.
"Nós, como bancada, estamos muito sintonizados com o presidente Lula em dar autonomia para a Polícia Federal continuar as investigações. A cada passo, vamos seguir pressionando pela CPMI, porque, mesmo depois das eleições, ela pode ser instalada e seguir até o fim de janeiro. Ou seja, ainda haveria tempo para contribuir com as investigações da Polícia Federal, doa a quem doer", afirmou.
Investigações contra Jaques
A Polícia Federal aponta que Jaques Wagner recebeu benefícios do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Banco Master e ex-sócio de Daniel Vorcaro, enquanto mantinha interlocução com ele sobre pautas de interesse da instituição financeira.
A investigação cita a compra de ingressos para familiares do parlamentar em um show internacional em Los Angeles, nos Estados Unidos, além do uso gratuito de jatinhos. Em buscas em endereços ligados ao líder do governo em Brasília e na Bahia, a PF apreendeu US$ 55 mil (cerca de R$ 282 mil) e € 33.500 (cerca de R$ 197 mil).
Em nota, Wagner afirmou que não é réu, não foi denunciado e não responde a qualquer processo relacionado aos fatos investigados. O senador disse acompanhar as apurações com tranquilidade e declarou confiar no trabalho das autoridades responsáveis pelo caso.
"Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira", diz o texto.
Sobre os valores em espécie apreendidos durante a operação, a assessoria informou que os recursos são provenientes de diárias recebidas legalmente em missões internacionais oficiais e que não foram utilizadas. A nota acrescenta que os valores foram devidamente declarados.
"Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá", completa.
A defesa de Augusto Ferreira Lima, por sua vez, disse que o empresário está à disposição da polícia há seis meses e classificou a operação como desnecessária.
“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”, complementou.












