Política

Lula conversa sobre paz em Gaza com presidente da Turquia

Resposta a convite de Trump para Conselho da Paz segue pendente; estratégia do Planalto é aguardar e acompanhar manifestações internacionais

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O presidente Lula (PT) conversou por telefone, nesta quarta-feira (21), com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan. Durante a conversa, ambos trataram da situação em Gaza e dos "esforços mundiais em favor da paz na região", segundo o Palácio do Planalto.

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Lula e Erdoğan foram convidados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o Conselho da Paz. Criado pela Casa Branca, o grupo surgiu com a proposta de reunir lideranças mundiais em torno de decisões que levem à "paz duradoura" em regiões conflagradas.

O presidente brasileiro ainda não respondeu ao convite e mantém "cautela diplomática". Já o líder turco aceitou o convite e colocou a Turquia à disposição para coordenar ações de paz em conjunto com Washington.

A ligação desta quarta faz parte da estratégia do governo Lula diante do convite de Trump, que consiste em evitar pressa e monitorar outras manifestações internacionais. Isso porque, caso se entenda que trata-se de uma armadilha diplomática, se o grupo começar a esvaziar por uma série de "nãos", pode ficar menos embaraçoso para o governo brasileiro também declinar da proposta, se for o caso.

Ainda na conversa com o presidente turco, Lula e Erdoğan concordaram sobre a necessidade de ampliar e diversificar o comércio bilateral entre os dois países, que alcançou mais de 5,5 bilhões de dólares em 2025.

"Concordaram em organizar reuniões entre os setores privados dos dois países. O presidente Erdogan destacou a disposição de empresas turcas em investir no Brasil, em especial no setor de infraestrutura", diz comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto.

Entraves para ingresso do Brasil no Conselho da Paz

Um dos pontos analisados é uma possível concorrência com a Organização das Nações Unidas (ONU), considerando as dificuldades enfrentadas pela ONU e a proposta de que o Conselho de Paz funcione para lidar com todos os conflitos no mundo. O Brasil tem receio de aderir a uma iniciativa unilateral, comandada pelos Estados Unidos, e assim endossar um movimento que contribua para o esvaziamento da ONU.

Também há dúvidas quanto ao real objetivo de Trump a partir da criação do conselho, levando em conta que convites foram feitos a cerca de 60 líderes mundiais incluindo nomes controversos como o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o ditador Alexander Lukashenko, de Belarus, que já aceitou o convite. Outro ponto diz respeito à questão do reconhecimento do Estado Palestino, defendida pelo Brasil.

Há, apesar de tudo, o receio de que a relação com a Casa Branca fique prejudicada com uma eventual negativa, em especial pelo perfil de Donald Trump. Assim, o Brasil poderia atrair para si novas taxas, sanções ou até "jogar fora" os avanços obtidos graças à abertura do diálogo com o presidente norte-americano no ano passado

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