Governo espera que Brasil seja poupado do "tarifaço" de Donald Trump
Haddad afirmou que seria "estranho" se o Brasil sofresse alguma retaliação injustificável dos Estados Unidos
SBT Brasil
Em meio à expectativa global sobre o novo "tarifaço" dos Estados Unidos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou esperança de que o Brasil não será afetado. A declaração foi feita durante sua visita a Paris, onde se reuniu com Éric Lombard, ministro das Finanças francês.
O "tarifaço", anunciado pelo presidente Donald Trump, está previsto para ser implementado imediatamente após a divulgação oficial nesta quarta-feira (2). Trump chamou a medida de "Dia da Libertação", alegando que os novos impostos são uma resposta a países que, segundo ele, tiram empregos e recursos dos Estados Unidos. Entretanto, os detalhes das alíquotas ainda não foram divulgados.
Apesar da possível crise comercial global, Haddad acredita que o Brasil não será atingido pelas sanções. "Os Estados Unidos têm uma posição muito confortável em relação ao Brasil. Até porque ele é superavitário tanto em relação a bens, quanto em relação a serviços", afirmou. O ministro ainda destacou que seria "estranho" se o Brasil sofresse alguma retaliação injustificável.
+ Senado aprova projeto da reciprocidade por 70 votos a 0
+ Paraguai convoca embaixador brasileiro e cobra explicações sobre suposto caso de espionagem
Outro tema discutido na reunião entre os ministros foi o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que ainda precisa ser ratificado pelo bloco europeu. Para Haddad, a aprovação do tratado representaria uma resposta política importante às medidas protecionistas de Trump.
A União Europeia está entre os principais alvos das novas taxas dos Estados Unidos. Trump chegou a afirmar que o bloco foi criado para prejudicar os interesses americanos. Em resposta, a presidente da Comissão Europeia garantiu que tem "cartas na manga" e prometeu uma forte reação ao tarifaço.
Apesar da pressão econômica, o ministro francês Éric Lombard afirmou que, no momento, não há condições para ratificar o acordo com o Mercosul. O tratado enfrenta resistência, especialmente entre agricultores franceses, que alegam concorrência desleal e defendem medidas protecionistas para o setor.