Política

Governador da Bahia diz que Bolsonaro e seus eleitores devem "ir para vala" e ex-presidente cobra ação do STF

Após avalanche de críticas nas redes sociais, Jerônimo Rodrigues se desculpa e argumenta que fala foi 'descontextualizada'

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SBT News, com informações da Aratu On
05/05/2025, 20:27 • Atualizado em 06/05/2025, 01:35
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Governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues | Reprodução Instagram

Governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues | Reprodução Instagram

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se manifestou nesta segunda-feira (5) sobre uma fala do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), que sugeriu que apoiadores do ex-presidente fossem "levados para a vala" por uma retroescavadeira junto com o ex-presidente.

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Bolsonaro foi às redes sociais contestar o que chamou de discurso "carregado de ódio” que, segundo ele, deveria ter gerado reação imediata das instituições, como o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Um discurso carregado de ódio, que em qualquer cenário civilizado deveria gerar repúdio imediato e ações institucionais firmes. Mas nada aconteceu. Não houve abertura de inquérito, nem busca e apreensão, tampouco convocação da Polícia Federal para apurar incitação à violência. Nenhuma nota de repúdio do STF, nenhuma indignação de ministros que se dizem interessados no assunto, nenhuma capa de jornal tratando o caso como ‘ameaça à democracia'”, afirmou Bolsonaro.

Na última sexta-feira (2), durante evento de entrega de uma escola pública no município de América Dourada (BA), o governador da Bahia disse:

“Tivemos um presidente que sorria daqueles que estavam na pandemia sentindo falta de ar. Ele vai pagar essa conta dele e quem votou nele podia pagar também a conta. Fazia no pacote. Bota uma 'enchedeira'. Sabe o que é uma 'enchedeira'? Uma retroescavadeira, bota e leva tudo para a vala", afirmou o governador da Bahia (veja abaixo).

A fala repercutiu nas redes sociais e foi alvo de críticas por parte de políticos da direita alinhados ao ex-presidente, como o deputado federal Nikolas Ferreira, o ex-candidato à presidência Padre Kelmon e o deputado estadual baiano Leandro de Jesus, que afirmou ter protocolado um pedido de impeachment contra o governador e disse que vai apresentar o tema ao Ministério Público. "Uma fala absurda, inaceitável e criminosa", disse nas redes sociais.

O deputado baseou-se no artigo 7º da Lei nº 1.079/1950, que define os crimes de responsabilidade e regula o processo de julgamento, como o impeachment, no Brasil.

Em 2018, quando era candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro falou, durante um comício, a frase “vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre”. A declaração foi alvo de uma ação no STF que, em 2023, foi encaminhada para a Justiça Eleitoral do Acre, já que Bolsonaro perdeu o foro privilegiado ao deixar a Presidência da República.

Bolsonaro também foi alvo de críticas quando, em Natal (RN) também em 2018, a uma semana da eleição, prometeu a milhares de admiradores enviar "a petralhada” para a “ponta da praia”. A expressão seria uma referência a um lugar clandestino onde era possível torturar e até matar, segundo o professor de história da UFRJ Carlos Fico, especializado na ditadura militar brasileira.

As desculpas do governador

Após avalanche de críticas, Jerônimo Rodrigues afirmou que a frase sobre "ir para vala" foi descontextualizada e negou qualquer intenção de incitar violência, argumentando que seu discurso foi motivado por indignação.

“Quem me conhece sabe, eu sou uma pessoa religiosa, sou uma pessoa de família. Eu não vou nunca tratar qualquer opositor com o tratamento deste. Foi descontextualizada”, declarou.

Em entrevista durante vistoria de obras no Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador, Jerônimo disse ainda que o comentário anterior foi uma crítica à forma como o país foi conduzido durante a pandemia da covid-19. Ele relembrou a morte de mais de 700 mil brasileiros e atribuiu parte da responsabilidade ao governo federal da época.

O petista também se desculpou publicamente pelo uso do termo “vala”, classificando-o como forte e inadequado. Segundo ele, a escolha das palavras foi um reflexo do momento de emoção.

“Se o termo ‘vala’ e o termo tratou foi pejorativo, foi muito forte, eu peço desculpa. O termo não foi a intenção. Eu não tenho problema algum de poder registrar quando há excessos na palavra, movido por indignação. Não houve intenção nenhuma de desejar a morte de ninguém, nem de querer matar ninguém. Está longe da minha atitude, da minha e do meu grupo”, justificou.

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