Ex-desembargador de direita quer aproveitar desgaste do Master para disputar governo do DF
Sebastião Coelho é crítico do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e quer disputar contra a vice-governadora Celina Leão


Iander Porcella
O desembargador aposentado Sebastião Coelho tem atuado nos bastidores para se cacifar ao governo do Distrito Federal. Ex-integrante do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT), ele se filiou ao Partido Novo no ano passado. Até então, a ideia era se candidatar ao Senado, mas o desgaste causado pelo escândalo do Banco Master na atual administração do DF levou seus aliados a enxergarem uma “avenida aberta” para concorrer a governador.
Considerado “direita raiz”, Coelho abriu mão do cargo de vice-presidente e corregedor do Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF), em 2022, em protesto contra a posse do ministro Alexandre de Moraes como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mais recentemente, atuou como advogado dos réus do 8 de Janeiro de 2023. Chegou a dizer que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) são as pessoas “mais odiadas” do país.
O ex-desembargador pretende disputar contra a atual vice-governadora do DF, Celina Leão, do PP. A avaliação de aliados ouvidos pelo SBT News é de que a relação do governador Ibaneis Rocha (MDB) com o caso Master pode respingar na candidatura de Celina e tirar votos da chapa governista.
Em depoimento à Polícia Federal, o dono do Master, Daniel Vorcaro, disse que conversou com Ibaneis sobre a venda da instituição financeira para o Banco de Brasília (BRB). O governador nega que tenha negociado a operação e afirma que apenas seguiu as orientações do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Outro candidato no DF é o ex-governador José Roberto Arruda, que se filiou no ano passado ao PSD. Ainda há dúvidas judiciais, contudo, sobre sua elegibilidade. Pela esquerda, deve concorrer o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, que foi interventor na segurança do DF após os ataques de 8 de Janeiro de 2023.
Na disputa pelo Senado, a candidatura de Ibaneis foi colocada em xeque, também por causa do caso Master. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada federal Bia Kicis (PL) também são cotadas para concorrer.









