Erika Hilton e Duda Salabert têm fotos exibidas em álbum de suspeitos da Polícia Civil de Pernambuco
Defensoria Pública acredita que imagens foram usadas indevidamente com viés discriminatório, já que as deputadas são mulheres trans; caso é investigado

Sofia Pilagallo
As deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) tiveram suas fotos indevidamente exibidas em um álbum de suspeitos da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). A corporação informou que iniciou uma investigação sobre o caso e que adotará as medidas cabíveis.
Segundo a Defensoria Pública de Pernambuco, as imagens de Erika e Duda foram exibidas em um álbum de suspeitos numa delegacia no bairro de Boa Vista em 8 de abril do ano passado a uma mulher que teve seu aparelho celular roubado em 24 de fevereiro. O órgão informou as deputadas sobre o caso neste mês.

A Defensoria acredita que o fato de Erika e Duda serem mulheres negras e trans seja a "provável razão" para a inclusão dessas fotos no rol de "possíveis suspeitas". Isso indica, de acordo com o órgão, que o critério de seleção do álbum pode ter sido discriminatório, revelando indícios de transfobia e racismo institucional.
"Para a Defensoria Pública, tal conduta, além de atentatória à dignidade das parlamentares indevidamente inseridas no procedimento, evidencia que o reconhecimento foi conduzido com base em estereótipos raciais e de gênero, o que compromete irremediavelmente a validade do ato", afirmou a Defensoria.
"A formação de um álbum fotográfico baseada em características identitárias — e não em traços físicos individualizantes — viola frontalmente o art. 226, II, do CPP (...) e os princípios constitucionais da igualdade (art. 5º, caput, CRFB/88), da não discriminação por cor, raça e gênero (art. 3º, IV, CRFB/88) e da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, CRFB/88)", acrescentou.
Em nota, a PCPE afirmou que repudia, de forma veemente, qualquer prática de preconceito ou discriminação, reafirmando seu compromisso com a dignidade humana. Também reforçou a implementação contínua de diretrizes, protocolos e ações voltadas à orientação de seus servidores, visando a uma atuação "sempre ética, responsável e livre de qualquer forma de preconceito".
A governadora de Pernambuco, classificou o episódio como "inadmissível" e disse que "preconceito e violência simbólica não são tolerados" no estado. No X, Raquel Lyra (PSD) informou que determinou a "apuração rigorosa" dos fatos noticiados, bem como a abertura de processo a Corregedoria da Secretaria de Defesa Social.
Erika e Duda, por sua vez, agradeceram a Raquel pelo apoio. No X, a deputada paulista reforçou que a governadora se comprometeu contra a devida apuração dos fatos, enquanto a mineira ressaltou a importância da investigação do caso, que "fragiliza a investigação de crimes e abre espaço para estigmatização das identidades trans."
"Segurança Pública é uma das prioridades em sua gestão e em minha atuação parlamentar", escreveu Duda. "É fundamental que esse caso gere mudanças concretas nos protocolos para evitar injustiças."









