Em nova carta, presidente da COP30 diz que setor privado tem papel fundamental na transição climática
André Lago ressaltou que participação das empresas na conferência da ONU em novembro é vital para ampliar escala de soluções diante de mudanças do clima

Antonio Souza
O presidente da 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudança do Clima (COP30), André Lago, divulgou nesta sexta-feira (29) sua sétima carta à comunidade internacional. Desta vez, o apelo é direcionado às empresas e ao setor privado, considerados peças-chave para acelerar a transição rumo a uma economia de baixo carbono.
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O documento destaca três prioridades para a conferência: fortalecer o multilateralismo, conectar a agenda climática à vida das pessoas e acelerar a implementação do Acordo de Paris. Lago ressaltou que a participação das empresas é vital para ampliar a escala das soluções climáticas. Ele afirmou que já houve avanços, mas que ainda há muito a ser feito.
"O momento de agir com urgência é agora. O setor privado já acelerou a transição de maneiras significativas, mas precisa avançar ainda mais, aumentando seu engajamento para tornar essa transformação uma realidade exponencial", diz ele em trecho do documento.
O presidente também destacou a chamada Agenda de Ação Climática da COP30, plataforma online da ONU em que países, cidades, empresas, investidores e outras organizações registram seus compromissos com a ação climática. Estruturada em seis eixos temáticos e 30 objetivos, a iniciativa conecta projetos em áreas como energias renováveis, cidades resilientes, financiamento sustentável e soluções baseadas em tecnologia.
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"A Agenda de Ação Climática é a plataforma onde a política encontra a prática. Ela conecta os resultados negociados no âmbito da UNFCCC com a economia real. Venham a Belém, tragam e conheçam soluções, colaborem e contribuam. As empresas podem mostrar ao mundo o verdadeiro significado da liderança climática", afirmou.
A COP30 será realizada em Belém, no Pará, entre os dias 10 e 21 de novembro, reunindo representantes de quase 200 países. A expectativa é que o encontro marque um ponto de virada, transformando compromissos assumidos em edições anteriores em resultados concretos.
Os países têm até o início de setembro para apresentar suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) para 2035, que servirão de base para o relatório de síntese das Nações Unidas previsto para este ano.
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Na carta anterior, Lago já havia alertado que a maioria dos países ainda não atualizou suas metas contra a mudança climática. Segundo ele, cerca de 80% das nações signatárias do Acordo de Paris não apresentaram novas NDCs para 2035 – compromisso considerado fundamental para manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C.
"Ao cruzarmos a marca dos 100 dias antes da COP30, cerca de quatro quintos dos membros do Acordo de Paris ainda não apresentaram novas NDCs para 2035. As partes sabem como é importante que a UNFCCC receba as NDCs a tempo de serem refletidas no relatório de síntese, a ser publicado em outubro", cobrou Lago.
O atraso preocupa, já que o relatório-síntese da ONU sobre as NDCs será publicado em outubro e servirá de base para as negociações da COP30.