Política

Em evento da ONU, Lula anuncia expansão de áreas sob conservação no Pantanal

Presidente participou da abertura da COP 15, voltada à proteção de espécies migratórias, em Campo Grande (MS)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Ricardo Stuckert/PR
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou neste domingo (22) decretos que ampliam áreas protegidas no Pantanal em 104 mil hectares – área próxima ao tamanho de Berlim, na Alemanha. Com isso, o território total do sob conservação subiu de 4,7% para 5,4%.

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Lula participou da abertura da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens, a COP 15, organizada pela ONU. O evento é realizado em Campo Grande (MS).

“Organizar este evento em Campo Grande, no estado do Mato Grosso do Sul, é uma escolha estratégica. [...] Essa região simboliza de forma singular a riqueza natural da América do Sul e a interdependência entre países cujas faunas e floras atravessam fronteiras", afirmou o petista durante o discurso.

No Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, situado no município de Poconé, a ampliação é de cerca de 47,3 mil hectares, um acréscimo de 35% sobre a área atual de 135 mil hectares. Há também um investimento de R$ 66 milhões para ações de regularização fundiária.

A maior expansão, porém, será na Estação de Taiamã, localizada no município de Cáceres, na divisa com Poconé. A área anterior, de 11.200 hectares, terá um acréscimo de 56.918 hectares – cinco vezes maior –, com aporte de R$ 88 milhões.

Além dos decretos sobre o Pantanal, o governo também criou a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas Gerais, com 69,9 mil hectares. A área abrange os municípios de Riacho dos Machados, Rio Pardo de Minas e Serranópolis de Minas. A unidade de conservação protege nascentes no Cerrado habitadas por comunidades tradicionais em um local alvo de extrativismo ilegal.

A COP 15 começa formalmente na segunda-feira (23) e vai até o próximo domingo (29). O intuito é atualizar acordos sobre a proteção de espécies que tem por característica a migração por diferentes países e continentes e exigem um esforço conjunto de conservação.

A Convenção sobre Espécies Migratórias nos lembra de uma mensagem simples, mas poderosa: migrar é natural. Ao cruzarem continentes conectando ecossistemas distantes, essas espécies revelam que a natureza não conhece limites entre Estados, disse Lula.

Por conter um ciclo natural de cheias e secas e mudar de característica abruptamente em diferentes épocas do ano, o Pantanal é uma das principais áreas de passagem de espécies do país e na regulação hidrológica do Brasil. Em 2024, o bioma teve o equivalente a um sexto da área total queimada. O Ministério Público do Mato Grosso do Sul identificou focos que indicaram motivação criminosa nos incêndios.

Na conferência, serão discutidos e firmados acordos para a proteção de animais que migram entre diferentes regiões. O objetivo é garantir a sobrevivência dessas espécies e o equilíbrio dos ecossistemas. Também serão avaliadas as condições atuais das espécies migratórias e definidas ações, políticas e investimentos para reduzir a perda de biodiversidade.

Além de Lula, participaram do evento autoridades como a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva; o presidente do Paraguai, Santiago Penã; o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP); o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Carrasco; o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho; e o presidente do ICMBio, Mauro Pires.

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, foi hospitalizada no Instituto do Coração (InCor) após passar mal, ter febre e sentir fortes dores abdominais. Ela foi representada pelo secretário-executivo da pasta, Eloy Terena.

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