Política

Economista vê risco de mais impostos com PEC do transporte

Proposta de Lula prevê passe livre nos fins de semana, mas financiamento é incerto e há risco de aumento de impostos, segundo o especialista

Avatar de Naiara Ribeiro
Naiara Ribeiro

A PEC do transporte gratuito nos fins de semana, proposta pelo presidente Lula da Silva (PT), pode aumentar os gastos públicos e levar à cobrança de mais impostos. A avaliação é do economista-chefe da ARX Investimentos, Gabriel Leal de Barros, que também vê riscos para a dívida pública brasileira. Em conversa com o SBT News nesta sexta-feira (16), ele questionou como o governo pretende financiar o benefício.

Anunciada por Lula na quinta-feira (15), a dez dias do segundo turno das eleições, a proposta prevê o uso de emendas parlamentares para custear a gratuidade. O governo ainda não apresentou uma estimativa oficial, mas Barros calcula que oferecer transporte gratuito todos os dias, em todo o Brasil, custaria mais de R$ 100 bilhões. O valor seria menor com o benefício restrito aos fins de semana.

"O que o governo está fazendo certamente vai ser pago pelo contribuinte. Então, certamente a gente vai ter mais impostos para pagar essa política pública. Tem que sair de algum bolso, não importa se é do bolso esquerdo ou do bolso direito, no final do dia o contribuinte paga a conta", afirmou.
SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

🤳Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique aqui.

O economista lembrou que algumas cidades já destinam parte do orçamento ao transporte gratuito de estudantes e que ampliar o benefício poderia comprometer ainda mais os recursos municipais. Ele também questionou se deputados e senadores aceitariam destinar parte de suas emendas ao passe livre. Em 2026, estão previstos cerca de R$ 60 bilhões para essas verbas.

"A verdade é que ninguém sabe se os parlamentares vão aceitar usar as suas emendas para esse tipo de política. A julgar pela experiência histórica e recente, parece muito difícil", avaliou.

Contas públicas em 2027

A possibilidade de novas despesas também preocupa diante da situação das contas públicas brasileiras. A dívida do país está próxima de 85% do Produto Interno Bruto (PIB), mais de 20 pontos percentuais acima da registrada em países com nível de renda semelhante, segundo os dados citados pelo economista, que também foi diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI).

Para 2027, o economista estima que o próximo governo encontrará um déficit primário de pelo menos 1% do PIB, ou seja, despesas superiores às receitas, sem considerar os juros da dívida. Segundo ele, seria necessário alcançar um superávit de 3% do PIB apenas para estabilizar o endividamento, o equivalente a uma melhora de aproximadamente R$ 500 bilhões nas contas públicas.

"A gente tem que fazer uma virada fiscal de quatro pontos do PIB. A gente tá falando de aproximadamente R$ 500 bilhões. Isso sim, só nas contas tradicionais. Aí a gente sabe que tem esqueleto no armário, a gente sabe que as estatais, por exemplo, estão muito comprometidas, a gente sabe que o governo tem utilizado, por exemplo, fundos por fora do orçamento", afirmou.

Barros também classificou o anúncio como "eleitoreiro" e comparou a iniciativa ao aumento do Auxílio Brasil anunciado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, durante a campanha eleitoral. Para ele, os novos benefícios anunciados pelo governo podem dificultar ainda mais o equilíbrio das contas públicas no próximo ano.

"O cenário a partir do ano que vem é muito perigoso, muito perigoso. A gente tem um problema muito, muito grande e esse problema tá sendo aprofundado", concluiu.

Últimas notícias