Diretor do BC revela como identificou fraudes do Banco Master e créditos sem valor vendidos ao BRB
Créditos fictícios eram criados em nome de pessoas que nunca contrataram empréstimos, relata Aquino em depoimento à Polícia Federal

SBT News
O diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, Ailton de Aquino, relatou à Polícia Federal, em depoimento prestado em dezembro do ano passado, como identificou as fraudes praticadas pelo Banco Master e concluiu que as carteiras de crédito vendidas ao BRB não tinham valor. Um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro Dias Toffoli apura as transações.
Na explicação do diretor, as pessoas que apareciam como devedoras da corretora Tirreno, que posteriormente teriam vendido as carteiras de crédito ao Master, na verdade não teriam recebido os supostos empréstimos na checagem feita pela fiscalização. Portanto, a carteira de crédito comprada pelo Master e depois repassada ao BRB, na verdade, não teria lastro financeiro.
"Tem uma questão central. Dona Maria recebeu o crédito? Tem um Pix ou TED? Nós perguntamos várias vezes, não tem elementos. A Tirreno, quantos TEDs, quantos Pix a Tirreno fez na sua gestão? Não tem um TED ou um Pix feito pela Tirreno. É isso”, disse Aquino na sua oitiva.
Aquino comparou o modus operandi da fraude ao caso do banco Cruzeiro do Sul, banco liquidado em 2012 em meio a um esquema sistemático de maquiagem de balanços e venda fictícia de carteiras de crédito e de ativos inexistentes.
"O Cruzeiro do Sul também gerou créditos inexistentes e nós, aplicando técnicas de auditoria, identificamos casos concretos de emissão. Quando você se debruça e aplica as técnicas de auditoria, você consegue constatar claramente a inexistência dos créditos", disse o diretor do BC.









