Caso Master: Haddad diz que Lula recebeu Vorcaro quando ainda não havia "indício de crime"
Segundo ministro, presidente avisou que decisão seria "técnica"; titular da Fazenda diz que BC herdou a maior fraude bancária da história


SBT News
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quinta-feira (29) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, quando ainda não havia "indício de crime". Conforme mostrou o colunista Cézar Feitoza, do SBT News, Vorcaro e o pai dele, Henrique, visitaram o Palácio do Planalto pelo menos quatro vezes entre 2023 e 2024. Os registros das entradas não mostram quem foi o anfitrião das visitas.
A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central (BC) no fim de 2025 e é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de fraudes financeiras bilionárias.
"Tinha muito rumor de que as coisas não estavam andando bem. Era um disse-me-disse. O rumor existia desde 2024. Tinha problema, mas você não tinha indício de crime, de fraude. Parecia um negócio mal feito, que não ia dar certo. Agora, quando começa no início de 2025, já há elementos concretos", disse Haddad em entrevista ao Metrópoles.
"O Galípolo estava muito preocupado, abrindo procedimentos internos para mergulhar na fiscalização. E aí houve um envolvimento quase que ato contínuo do Ministério Público", acrescentou o ministro.
O Planalto não diz com quem foram os encontros, mas afirma que Vorcaro não esteve nessas ocasiões com Lula e ministros palacianos.
Sem contar essas quatro vezes reveladas pelo SBT News, Vorcaro se encontrou com Lula em dezembro de 2024, em uma reunião que não constou na agenda do presidente.
Haddad também saiu em defesa do trabalho de Galípolo desde a posse dele na presidência do BC, comentou não saber que Lula receberia o banqueiro e revelou o que o presidente disse ao dono do Master na reunião.
"Tomou posse o Galípolo, viu que estava diante de um problema grave, abriu os procedimentos internos para apurar, constatou a fraude bilionária, tomou todas as medidas necessárias, interna e externamente, para uma decisão robusta, uma decisão sustentável perante qualquer tribunal. Esse é o certo. Com a orientação do presidente da República, que nos disse sempre: 'Façam o trabalho de vocês'", explicou o ministro da Fazenda.
"O que, aliás, foi o que ele [Lula] disse na reunião com o Vorcaro, segundo todas as testemunhas. 'Olha, a decisão sobre você é do Banco Central, técnica. Uma decisão técnica vai ser tomada. Se bem, bem, se mal, mal'. E é a orientação que eu recebo", falou Haddad.
O ministro da Fazenda voltou a dizer que presidente do BC indicado por Lula herdou "abacaxi" da gestão passada, de Roberto Campos Neto, nome escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também sugeriu que o chefe da autoridade monetária sabia do tamanho do problema quando assumiu cargo.
"Quando o Gabriel Galípolo assume a presidência do Banco Central, ele já tem plena consciência do tamanho do abacaxi que ele herdou de seu antecessor. Ele tem total clareza de que ali é a maior fraude bancária possivelmente da história do Brasil. Então instauraram-se os processos necessários para dar solidez às decisões que o BC precisava tomar", disse.
"Por orientação minha, do Galípolo e do próprio presidente da República, vamos levar até às últimas consequências o que aconteceu", completou.








