Política

Dino defende reforma do Judiciário e nega 'crise terminal'

Ministro do STF cita morosidade, corrupção e uso da inteligência artificial entre os pontos que precisam ser discutidos

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André Barbeiro
O ministro Flávio Dino em sessão na Primeira Turma do STF | Luiz Silveira/STF

O ministro Flávio Dino em sessão na Primeira Turma do STF | Luiz Silveira/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a necessidade de reformas no Judiciário, mas rejeitou a avaliação de que o sistema jurídico brasileiro esteja passando por uma crise "terminal e apocalíptica". Em publicação nas redes sociais, Dino afirmou que há problemas nas instituições, mas criticou o que classificou como discursos exagerados sobre a situação do Judiciário.

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"Claro que há pontos negativos em tais instituições, porém é falso que existe uma 'crise' terminal e apocalíptica no mundo do Direito, mormente no Judiciário. Essa é uma pregação fruto, no mais das vezes, de objetivos ideológicos, oportunismos político-eleitorais e interesses econômico-financeiros", escreveu.

Segundo o ministro, a ideia de uma crise profunda no mundo do Direito seria, em muitos casos, resultado de "objetivos ideológicos, oportunismos político-eleitorais e interesses econômico-financeiros". Dino também citou a possibilidade de que algumas críticas sejam influenciadas por vieses, que levam à escolha de informações que confirmem determinadas interpretações da realidade.

"Essa é uma pregação fruto, no mais das vezes, de objetivos ideológicos, oportunismos político-eleitorais e interesses econômico-financeiros. Ou, na melhor das hipóteses, esse discurso deriva de deletérios vieses de confirmação, que recortam, fraudam e moldam a realidade para “caber” em estranhas hipóteses preconcebidas", disse.

Apesar das críticas ao diagnóstico de uma crise sistêmica, Dino afirmou considerar necessárias mudanças para aprimorar o funcionamento das instituições jurídicas e o atendimento à população.

Entre os temas que, na avaliação do ministro, deveriam estar no centro de uma agenda de reformas, estão a morosidade dos processos judiciais e a punição de profissionais envolvidos em corrupção.

Dino também defendeu a discussão sobre o uso e o abuso da inteligência artificial no Direito, além da utilização de precatórios para a prática de crimes. Outro ponto citado foi a existência de "fundos" mantidos por profissionais do setor que, segundo ele, podem ser utilizados para lavagem de dinheiro.

A manifestação foi publicada por Dino durante uma homenagem aos profissionais do Direito. Ele destacou a formação de milhões de profissionais ao longo de quase dois séculos e afirmou que, apesar dos problemas existentes, é incorreto considerar que o Judiciário brasileiro esteja diante de uma crise terminal.

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