Deputados dizem que houve 'dinheiro quente' na Câmara para beneficiar bets
Otoni de Paula (MDB-RJ) e Ivan Valente (PSOL-RJ) mencionam possível corrupção a parlamentares, mas não apresentaram provas


Ranier Bragon
Os deputados Otoni de Paula (MDB-RJ) e Ivan Valente (PSOL-RJ) afirmaram que houve pagamento em dinheiro a deputados para que a Câmara derrubasse na noite desta terça-feira (24) a taxação das bets na votação do chamado PL Antifacção.
"Estamos diante de um caso muito sério, um caso de verdadeiro lobby das bets nesta Casa", discursou Otoni na tribuna momentos antes da votação.
"A pergunta é: quem levou dinheiro para isso? Quem levou? Tem que se perguntar isto aqui, neste plenário, Deputado Kim [Kataguiri]: quem levou? Essa turma não defende bets aqui à toa, não. Não! Não! Tem grana, tem dinheiro! E é dinheiro quente!", acrescentou.
Nesta quarta, Ivan Valente foi na mesma linha em entrevista ao SBT News.
"Havia uma ação do lobby [das bets], e uma ação financeira para reverter isso aí", disse. "Vários deputados se pronunciaram [no sentido de haver corrupção], inclusive o deputado Otoni de Paula, que é evangélico, da turma deles. Óbvio que que os lobbys estão operando, como as big techs operaram aqui contra a regulação das redes", disse o deputado do PSOL.
Questionado quem teria recebido dinheiro, disse que isso não poderia falar porque "isso rola por baixo do pano".
O centrão e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), patrocinaram um acordo para livrar as bets de uma taxação que direcionaria cerca de R$ 30 bilhões para a área de segurança pública.
A medida havia sido aprovada pelo Senado no PL Antifacção, mas a Câmara derrubou a taxação por volta das 23h desta terça.
A esquerda se colocou contra, mas não se insurgiu de forma efetiva contra a decisão de Motta de ignorar pedidos de votação nominal e livrar os deputados de "deixarem a digital" na medida.
O PL de Jair Bolsonaro se colocou contra a derrubada da taxação, por meio do deputado Eli Borges (PL-TO), mas minutos depois voltou atrás e liberou a bancada a se posicionar livremente.
Com a posição da esquerda e do PL, o destaque pró-bets apresentado pelo bloco formado por PP, União Brasil, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos foi aprovado de forma simbólica, sem registro nominal de votos.
O autor do destaque que livrou as bets de taxação no PL Antifacção foi o líder da bancada do PP, Doutor Luizinho (RJ). O SBT News o procurou, por meio da assessoria, mas não houve manifestação.
Nos bastidores, integrantes da base de apoio do governo afirmaram que houve acordo em torno do relatório de Guilherme Derrite (PP-SP), que cedeu em alguns pontos de interesse do Palácio do Planalto.
O acerto, ainda de acordo com relatos de bastidor, era de que o governo não se empenharia em exigir a digital dos deputados no destaque pró-bets em troca das concessões de Derrite.
O SBT News também procurou o presidente da Câmara, por meio de sua assessoria, mas não houve manifestação.









