Política

Deputados dizem que houve 'dinheiro quente' na Câmara para beneficiar bets

Otoni de Paula (MDB-RJ) e Ivan Valente (PSOL-RJ) mencionam possível corrupção a parlamentares, mas não apresentaram provas

Imagem da noticia Deputados dizem que houve 'dinheiro quente' na Câmara para beneficiar bets
Otoni de Paula e Ivan Valente | Reprodução SBT e Câmara
• Atualizado em

Os deputados Otoni de Paula (MDB-RJ) e Ivan Valente (PSOL-RJ) afirmaram que houve pagamento em dinheiro a deputados para que a Câmara derrubasse na noite desta terça-feira (24) a taxação das bets na votação do chamado PL Antifacção.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover
"Estamos diante de um caso muito sério, um caso de verdadeiro lobby das bets nesta Casa", discursou Otoni na tribuna momentos antes da votação.
"A pergunta é: quem levou dinheiro para isso? Quem levou? Tem que se perguntar isto aqui, neste plenário, Deputado Kim [Kataguiri]: quem levou? Essa turma não defende bets aqui à toa, não. Não! Não! Tem grana, tem dinheiro! E é dinheiro quente!", acrescentou.

Nesta quarta, Ivan Valente foi na mesma linha em entrevista ao SBT News.

"Havia uma ação do lobby [das bets], e uma ação financeira para reverter isso aí", disse. "Vários deputados se pronunciaram [no sentido de haver corrupção], inclusive o deputado Otoni de Paula, que é evangélico, da turma deles. Óbvio que que os lobbys estão operando, como as big techs operaram aqui contra a regulação das redes", disse o deputado do PSOL.

Questionado quem teria recebido dinheiro, disse que isso não poderia falar porque "isso rola por baixo do pano".

O centrão e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), patrocinaram um acordo para livrar as bets de uma taxação que direcionaria cerca de R$ 30 bilhões para a área de segurança pública.

A medida havia sido aprovada pelo Senado no PL Antifacção, mas a Câmara derrubou a taxação por volta das 23h desta terça.

A esquerda se colocou contra, mas não se insurgiu de forma efetiva contra a decisão de Motta de ignorar pedidos de votação nominal e livrar os deputados de "deixarem a digital" na medida.

O PL de Jair Bolsonaro se colocou contra a derrubada da taxação, por meio do deputado Eli Borges (PL-TO), mas minutos depois voltou atrás e liberou a bancada a se posicionar livremente.

Com a posição da esquerda e do PL, o destaque pró-bets apresentado pelo bloco formado por PP, União Brasil, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos foi aprovado de forma simbólica, sem registro nominal de votos.

O autor do destaque que livrou as bets de taxação no PL Antifacção foi o líder da bancada do PP, Doutor Luizinho (RJ). O SBT News o procurou, por meio da assessoria, mas não houve manifestação.

Nos bastidores, integrantes da base de apoio do governo afirmaram que houve acordo em torno do relatório de Guilherme Derrite (PP-SP), que cedeu em alguns pontos de interesse do Palácio do Planalto.

O acerto, ainda de acordo com relatos de bastidor, era de que o governo não se empenharia em exigir a digital dos deputados no destaque pró-bets em troca das concessões de Derrite.

O SBT News também procurou o presidente da Câmara, por meio de sua assessoria, mas não houve manifestação.

Últimas Notícias