Delegados da PF criticam mudanças no PL Antifacção e apontam redução de recursos para a instituição
Edvandir Felix de Paiva, presidente da ADPF, afirma que texto aprovado enfraquece instituições e reduz capacidade de investigação da Polícia Federal



Anita Prado
Paulo Sabbadin
O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva, criticou as mudanças no texto do PL Antifacção e afirmou que "o texto deixa de fortalecer as instituições". Segundo ele, o aumento de penas, por si só, não é suficiente para combater o crime.
"O recrudescimento de penas e do tratamento penal deste tipo de criminalidade é importante, entretanto, se a instituição não tiver capacidade, investimentos e ferramentas de investigação adequadas, não se chega nem a aplicar a pena, porque não se investiga e não se identifica os autores dos crimes", afirma.
Felix citou ainda a importância de ferramentas que foram retiradas do texto, que serviriam para acesso ampliado a dados cadastrais e identificação de criminosos.
No projeto aprovado pela Câmara dos Deputados, também fica estabelecido que a divisão dos bens apreendidos será de 50% para a União e 50% para os estados.
Para Felix, a medida "tira recursos da PF, que já tem orçamento bastante limitado". Segundo ele, "o projeto, em vez de trazer novas fontes de financiamento ou pelo menos manter o recurso que a PF recebe, está diminuindo, o que significa diminuir a capacidade de investigação da polícia".
Tributação das bets
A retirada da tributação das bets também foi criticada, uma vez que os recursos poderiam ser destinados para a PF.
"A segurança pública precisa de financiamento", explica o presidente da ADPF. "Trazer dinheiro, seja das bets, seja de outra atividade econômica, seria muito importante para as polícias", conclui.









