Política

Delator da Lava Jato recebeu R$ 42 mi em lobby para Vorcaro

Valor foi estimado pela Polícia Federal com base em mensagens no celular do banqueiro

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Anita Prado, Cézar Feitoza
28/05/2026, 17:13 • Atualizado em 28/05/2026, 17:13
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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master | Reprodução

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master | Reprodução

A Polícia Federal encontrou mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro que indicam que um ex-delator da Lava Jato recebeu R$ 41,9 milhões como resultado do esquema do Banco Master com fundos de previdência de estados e municípios.

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Ricardo Siqueira Rodrigues, conhecido como Ricardo Gordo, era o operador financeiro das fraudes, segundo a Polícia Federal.

Ricardo Siqueira Rodrigues, conhecido como Ricardo Gordo | Reprodução
Ricardo Siqueira Rodrigues, conhecido como Ricardo Gordo | Reprodução

O acerto entre ele e Vorcaro envolvia uma comissão de 0,6% do valor captado por Rodrigues em fundos de previdência.

Os valores eram repassados por uma empresa de fachada. A PF destaca que o montante pode ser superior ou inferior e que o levantamento ficou restrito a mensagens comunicando os repasses de dezembro de 2023 a julho de 2024.

Rodrigues foi alvo de buscas na quarta-feira (27), em nova fase da Operação Compliance Zero. O advogado Antônio Figueiredo Basto disse que a defesa do lobista não vai se manifestar.

O esquema

A Polícia Federal afirma que Ricardo Rodrigues era o principal responsável pela captação de recursos de previdências estaduais, por meio de aplicação em Letras Financeiras do Banco Master.

No caso envolvendo o RioPrevidência, Rodrigues comunicou a Vorcaro que ele resolveria os trâmites internos enquanto o banqueiro seria responsável pelo "alinhamento político" para viabilizar o negócio.

A investigação diz que Rodrigues tinha um método de captação de recursos que envolvia "tráfico de influência e fraude em investimentos".

"Esses caras são criminosos"

Em julho de 2024, com o avanço do Master sobre os fundos de previdências dos estados, o governo federal definiu novas diretrizes regulatórias para o processo decisório de investimentos em Regimes Próprios de Previdência Social.

As novas regras criavam dificuldades para a captação de recursos do RioPrevidência por meio de Letras Financeiras.

Rodrigues se mostrou inconformado em mensagem de áudio enviada a Vorcaro: "Enquanto só quem captava papel de 10 anos era BTG, Itaú, Safra, a secretaria achava o máximo, ninguém se metia com nada, ninguém criava confusão. Na hora que entra banco médio na história, realmente aí passa a ter uma série de critérios, um negócio absurdo. Sabe, esses caras são criminosos".

O lobista também disse que precisava discutir com Vorcaro "alternativas à Letra Financeira".

"Eu acho que a gente já precisa ter algumas alternativas para encerrar esse ano aí com pelo menos mais um bi, um bi e meio, né, Daniel?"

A Polícia Federal diz que as dificuldades impostas pelo governo federal fizeram Vorcaro procurar outras formas para captar recursos das previdências estaduais. O caminho escolhido foi usar fundos de investimentos ligados ao Master para receber o dinheiro dos aposentados.

Até julho de 2024, o RioPrevidência repassou R$ 1,7 bilhão por Letras Financeiras para o Banco Master. Após as novas regras definidas pelo governo, a Previdência do RJ repassou outros R$ 2 bilhões para o Master, com repasse a fundos de investimentos.

Lava Jato

Ricardo Siqueira Rodrigues fechou um acordo de colaboração premiada no âmbito da Operação Lava Jato, em que devolveu R$ 10 milhões.

A delação ocorreu numa investigação sobre o pagamento de propina a diretores e ex-diretores do Banco de Brasília.

Rodrigues também foi acusado de tráfico de influência em fundos de pensão dos Correios, da Rede Ferroviária e do Serviço Federal de Processamento de Dados.

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