Política

COP30 será um teste para Brasil, diz diplomata do Azerbaijão

Após visita a Lula, Elchin Amirbayov fala sobre negociações de paz com a Armênia, Cúpula do Clima e novas oportunidades de negócios

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Murilo Fagundes
04/04/2025, 19:29 • Atualizado em 04/04/2025, 20:43
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Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Em meio às movimentações diplomáticas que antecedem a COP30, prevista para novembro de 2025, em Belém (PA), o Azerbaijão — último anfitrião da cúpula — destaca que um dos principais desafios do Brasil na presidência será garantir que as promessas feitas no papel se traduzam em ações concretas.

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Em entrevista ao SBT News, Elchin Amirbayov, enviado especial do Azerbaijão para questões climáticas, afirmou que o maior teste do país será transformar compromissos em medidas efetivas, superando o histórico de negociações que terminam em documentos sem resultados práticos. “Agora os países precisam passar dos compromissos para a ação real”, afirmou.

Para ele, o sucesso da conferência em Belém dependerá da capacidade do governo brasileiro de liderar com pragmatismo, construir consenso e assegurar que os recursos financeiros prometidos para a transição climática, como os US$ 1,3 trilhão anuais até 2035, comecem de fato a ser mobilizados.

Após visita ao Brasil, o embaixador especial falou sobre os avanços no processo de paz com a Armênia, os aprendizados da COP29 — sediada em Baku — e as possibilidades de cooperação bilateral nas áreas de energia, educação, turismo e comércio.

Acordo de Paz

Sobre a questão geopolítica da região, Amirbayov destacou que o Azerbaijão está comprometido com a assinatura de um acordo de paz definitivo com a Armênia. “O texto do acordo de paz já está finalizado por Baku e Yerevan. O próximo passo é criar o ambiente político necessário para a assinatura, começando pela retirada do artigo da Constituição armênia que faz reivindicação territorial ao Azerbaijão”, afirmou.

Segundo ele, é necessário abandonar antigas estruturas de mediação, como o Grupo de Minsk da OSCE, que “não têm mais função”. “Hoje, a negociação acontece de forma bilateral, sem terceiros. E esse é o formato mais eficaz. Já provou ser frutífero”, disse.

Para o diplomata, o sucesso do processo pode transformar toda a região do Cáucaso. “Nossa região merece paz, estabilidade e prosperidade. Um acordo definitivo abriria caminhos para o comércio, a reabertura de fronteiras e a cooperação econômica.”

Legado da COP29

Durante a entrevista, Amirbayov também falou sobre o legado da presidência do Azerbaijão na última Conferência das Partes (COP29), realizada em 2024. “O maior ensinamento que podemos compartilhar com o Brasil é a importância de uma presidência inclusiva, transparente e orientada para a ação”, declarou.

Segundo ele, a COP29 reuniu 77 mil participantes e 80 chefes de Estado. “Foi a segunda maior COP da história. Conseguimos aprovar o primeiro acordo operacional sobre mercados de carbono e estabelecer a meta de US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático até 2035”, contou.

Amirbayov reforçou o apoio ao Brasil na condução da próxima conferência climática. “Estamos em contato direto com a presidência brasileira da COP. Nosso papel agora é ajudar a garantir que os compromissos feitos em Baku se transformem em ações concretas em Belém.”

Novos caminhos com o Brasil

A visita do diplomata ao Brasil também teve caráter estratégico: aproximar os dois países em áreas como energia, educação, ciência e turismo. Segundo ele, a criação de um grupo de trabalho bilateral sobre comércio e investimentos está em andamento.

“Existe uma grande abertura do governo Lula. Encontrei-me com o chanceler interino, com o assessor diplomático do presidente e com parlamentares. Há vontade política. Agora precisamos transformar palavras em ação”, analisou.

O Azerbaijão aposta, por exemplo, na cooperação energética entre a estatal Socar e a Petrobras. “Podemos avançar em gás natural liquefeito, produtos derivados do petróleo e, futuramente, em presença comercial no Brasil”, afirmou Amirbayov. Na área agrícola, há interesse em parcerias em agroindústria e uso de novas tecnologias no campo.

A educação também foi destaque nas conversas. “Queremos aproveitar as bolsas disponíveis e criar parcerias entre universidades federais do Brasil e instituições do Azerbaijão. Isso pode levar a pesquisas conjuntas e aumentar o contato entre nossos povos”, explicou.

Outro ponto foi o turismo. O embaixador defende a criação de voos diretos entre os dois países. “A distância não pode ser um obstáculo. O contato entre as pessoas é a base da diplomacia. Queremos ver mais brasileiros explorando Baku e mais azeris conhecendo o Brasil.”

Segundo ele, o Azerbaijão tem “muito a oferecer” no setor: “Temos ecoturismo, turismo cultural, gastronômico, rotas de vinhos. O país é diverso e pronto para receber”.

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