Ciro confunde gesto com símbolo de facção e ameaça prender apoiador no Ceará
Ex-ministro achou que homem que fazia "C" com a mão estava emulando símbolo de organização criminosa; ele lançou candidatura a governador nesse sábado (16)


SBT News
O ex-candidato a presidente Ciro Gomes (PSDB) se confundiu nesse sábado (16) com um gesto feito por um apoiador durante o lançamento de sua campanha a governador do Ceará.
Ciro discursava na parte final do anúncio e fazia elogios ao seu mentor, o ex-governador e ex-senador Tasso Jereissati (PSDB), quando interpelou um apoiador que estava na plateia no bairro Conjunto Ceará, em Fortaleza.
"Meu irmão, você está querendo ser preso? Vai começar aqui. O cara está fazendo o símbolo do Comando Vermelho ali. Prende ele", disse Ciro.
Aliados que estavam no palco, incluindo a esposa Giselle Bezerra, explicaram que o gesto com o "C" nas mãos era de "Ciro", e não em referência à facção.
Ele então se desculpou e aproveitou para passar um recado de enfrentamento ao crime caso volte a ser eleito governador. Ciro comandou o Ceará de 1991 a 1994, quando deixou o cargo para assumir o Ministério da Fazenda e dar continuidade ao Plano Real.
"Desculpa aí, meu irmão, é porque eu sou vigilante. Comando Vermelho, olha isso aqui: vai para a cadeia!", afirmou.
O SBT News entrou em contato com a assessoria de Ciro, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
Comando Vermelho
Originário do presídio da Ilha Grande, no Rio de Janeiro, o Comando Vermelho se expandiu por outros estados e ganhou força no Ceará na segunda metade da década de 2010, segundo levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A facção se aproveitou da fragmentação entre grupos criminosos locais para alimentar a rota do tráfico de drogas e armas e realizar uma expansão agressiva de 2016 a 2020, período em que a taxa de homicídios disparou no governo Camilo Santana (PT), então aliado de Ciro.
O "Mapa das Organizações Criminosas" do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostra que o CV hoje atua em presídios e periferias urbanas cearenses com um modelo menos centralizado que o Primeiro Comando da Capital (PCC), que tem como base alianças locais e domínio territorial armado.







