Política

Bolsonaro fica proibido de receber aliados enquanto se recupera em casa

Decisão de Moraes permite apenas que filhos e ex-primeira-dama tenham acesso ao ex-presidente nos 90 dias em que tratará a broncopneumonia

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O ex-presidente Jair Bolsonaro | Divulgação/Ton Molina/STF
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não terá trânsito livre em sua residência no período autorizado a cumprir prisão domiciliar humanitária, conforme decisão emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (24).

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Durante os 90 dias em que permitiu a transferência de Bolsonaro para casa, Moraes liberou sem restrições apenas a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, da filha Laura e da enteada Letícia – que moram na residência em um condomínio do Jardim Botânico, nos arredores de Brasília.

Os filhos Carlos e Jair Renan devem seguir as regras da Papudinha: visitas às quartas e sábados em horários pré-determinados (8h às 10h, 11h às 13h e 14h às 16h). Advogados tem mais flexibilidade e podem se consultar com Bolsonaro todos os dias da semana, das 8h20 às 18h, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que compõe a defesa do pai. Já a equipe médica pode acompanhar e visitar Bolsonaro a todo o momento.

Os demais visitantes ficam suspensos de se encontrar com o ex-presidente por 90 dias, "correspondente ao período de recuperação do custodiado, para resguardar o ambiente controlado necessário, principalmente para se evitar o risco de sepse e controle de infecções, conforme anteriormente salientado", segundo a decisão.

A fiscalização sobre o cumprimento da prisão domiciliar segue sob responsabilidade do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. O ex-presidente usará tornozeleira eletrônica e não poderá usar telefone celular, acessar redes sociais ou gravar vídeos e áudios. Veículos e visitantes que chegarem ao local deverão ser revistados. Moraes exige ainda informações sobre os funcionários que trabalham na residência e os enfermeiros que ficarão responsáveis pelo acompanhamento de Bolsonaro.

Na Papudinha, o ex-presidente recebeu a visita de uma série de aliados, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG); o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite; e o senador Carlos Portinho (PL-RJ). As visitas serviram para articular composições de palanques nos estados de olho nas eleições.

Saúde de Bolsonaro

O ex-presidente está internado no Hospital DF Star, em Brasília, desde 13 de março, para tratamento de uma pneumonia bacteriana decorrente de um episódio de broncoaspiração. Na segunda, ele deixou a UTI e foi transferido para um quarto. O boletim médico mais recente mostra que a sua saúde está estável, mas ainda não há previsão de alta.

Bolsonaro passou mais de dois meses no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, a chamada Papudinha, em uma cela com cerca de 65 m². Ele foi transferido para o local em 15 de janeiro depois de criticar as dependências da Superintendência Regional da Polícia Federal no DF, onde estava preso anteriormente.

No período em que esteve na Papudinha, conforme os autos, Bolsonaro recebeu atendimento médico permanente e diário em 206 ocasiões, além de ter realizado 18 sessões de fisioterapia e 48 caminhadas na área ao redor do Batalhão.

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