Política

Bets cobram entidade do comércio por associar perdas de mais de R$ 100 bi a setor de apostas

Instituto que representa sites de jogos rebateu dados que vazaram nesta segunda (27), e que atribuem o endividamento das famílias às bets

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Logo do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável | Reprodução

Um estudo, que só deve ser divulgado no início da tarde de terça-feira (28), já está gerando embate entre dois setores de negócios: o varejo e os sites de apostas esportivas. A coluna teve acesso a uma notificação encaminhada pelo Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR) para a Confederação Nacional do Comércio (CNC), em que pede - num prazo de 5 dias - explicação sobre qual a base de dados usada pela entidade para apontar a estimativa de que os brasileiros teriam destinado, somente em 2024, mais de R$ 240 bilhões às plataformas de apostas.

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Os representantes das bets também pedem indicação completa e detalhada de como a CNC concluiu que o varejo teria deixado de faturar R$ 103 bilhões de reais, especificamente, em razão do redirecionamento de recursos para o mercado de apostas.

Trecho da solicitação do IBJR à CNC pedindo explicações sobre pesquisa
Trecho da solicitação do IBJR à CNC pedindo explicações sobre pesquisa

Esses dados também foram usados, segundo o IBJR, como justificativa na apresentação, no dia 14 deste mês, do projeto de lei do deputado Pedro Uczai, do PT-SC, que propõe a proibição integral da exploração, oferta e da promoção de apostas de quota fixa em todo o território nacional.

O presidente Lula tem intensificado, nas últimas semanas, os discursos contra as bets. Na última sexta-feira (24), o governo anunciou o bloqueio de 28 sites do chamado mercado preditivo - espécie de bolsa de valores em que, em vez de ações, as pessoas negociam dinheiro baseado no desfecho de eventos futuros.

As mais de 100 plataformas de jogos esportivos, que pagaram outorga da regulamentação, estão reagindo à ofensiva contra o setor. O IBJR sustenta que a proibição sumária não é a solução, pelo contrário, é por meio do setor, que aceitou seguir as regras, que políticas públicas poderão ser adotadas para combater o vício e o endividamento. Atualmente, mais de 50% das apostas ocorreram em plataformas que operam ilegalmente e burlam os bloqueios da ANATEL.

O diretor e conselheiro do IBJR, André Gelfi, classificou os dados da CNC como fake news porque confundem conceitos e atribuem às bets toda a evolução do consumo e o endividamento das famílias brasileiras. “É uma informação infundada, orquestrada com o Congresso em meio a uma narrativa política em ano eleitoral”, destacou o dirigente do Instituto.

Ele ressalta que dados do setor apontam que as apostas representam 0,46% do total e endividamento das famílias e que as BETS são usadas para justificar a dificuldade para deixar as contas em dia.

A coluna procurou a Confederação Nacional do Comércio que não comentou a notificação e promete uma resposta nesta terça.

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