Benedito Gonçalves toma posse como corregedor do CNJ
Ministro do STJ defende magistratura mais próxima da sociedade; Fachin diz que poucas trajetórias ilustram tão bem a defesa da democracia
Jessica Cardoso, Hariane Bittencourt
O ministro Benedito Gonçalves durante sua cerimônia de posse no CNJ | Reprodução/YouTube @cnj
O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves tomou posse nesta terça-feira (25) como novo corregedor nacional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele ficará no cargo até 2028 e sucede Mauro Campbell Marques, que deixou a função após assumir a vice-presidência do STJ.
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Gonçalves terá o desafio de assumir como corregedor num momento em que o próprio STJ, por exemplo, enfrenta uma série de escândalos políticos. Na prática, cabe ao corregedor nacional de Justiça apurar denúncias disciplinares contra magistrados, fiscalizar tribunais e estabelecer diretrizes para melhorar o funcionamento do Judiciário.
Sobre essas atribuições, Benedito defendeu uma atuação da magistratura mais próxima da sociedade. Segundo ele, a formação de um juiz não deve se limitar ao conhecimento técnico.
“É preciso conhecer a sociedade em que se atua e avaliar os efeitos concretos das decisões. Lugar de juiz é próximo à sociedade que depende do serviço judicial”, declarou.
Benedito também afirmou que a corregedoria deve atuar como uma “parceira institucional”, com foco na identificação de problemas e na melhoria do funcionamento do Judiciário. Para o ministro, a função não deve se restringir à aplicação de medidas disciplinares.
“Gestão, tecnologia, precedentes, metas e racionalização de fluxos produzem resultados concretos. Quem procura a Justiça espera uma decisão em tempo razoável, tratamento digno, previsibilidade e a certeza de que será ouvido por uma instituição séria e acessível”, disse.
O ministro apontou ainda a transformação tecnológica como um dos principais desafios do Judiciário. Ele defendeu o uso de novas ferramentas, mas ressaltou que a tecnologia não deve substituir a responsabilidade dos magistrados.
“A tecnologia é instrumento e não substituto da responsabilidade humana. A justiça do futuro não será apenas mais digital. Terá de ser mais acessível, clara, simples, confiável e humana”, disse.
A cerimônia, realizada na sede do Conselho Nacional de Justiça, em Brasília, reuniu diversas autoridades, entre elas o presidente do STF e do CNJ, Edson Fachin, e os ministros da Corte Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Nunes Marques.
Também participaram o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e os governadores Celina Leão (DF) e Ricardo Couto (RJ).
Ao discursar no final do evento, Fachin destacou a trajetória de Benedito Gonçalves na magistratura e sua atuação em defesa da democracia.
Segundo o ministro, “poucas trajetórias na magistratura brasileira contemporânea ilustram tão bem a defesa da democracia” quanto a de Benedito.
“Como Corregedor-Geral da Justiça Eleitoral, coube-lhe atuar diante da desinformação e de inaceitáveis tentativas de se questionar o processo eleitoral brasileiro. E Sua Excelência o fez como devem agir os magistrados: por meio dos autos, das provas, da Constituição e da lei”, disse.
O presidente do CNJ também afirmou que a corregedoria tem uma responsabilidade que vai além da apuração e punição de condutas. Para ele, o órgão deve contribuir para preservar a confiança da sociedade na magistratura.
“A imensa maioria das magistradas e dos magistrados brasileiros, silenciosamente, todos os dias, em milhares de unidades judiciárias, honra a toga que veste e precisa de apoio, orientação e união, É nosso dever assegurar que a magistratura seja independente sem ser insular; seja respeitada porque é respeitável; e capaz, sobretudo, de compreender que cada prerrogativa que recebe existe para servir ao cidadão”, disse.
Fachin concluiu afirmando que Benedito já demonstrou firmeza em momentos de tensão democrática e, agora, terá a missão de exercer liderança dentro da magistratura.
“Com essa biografia de tantos serviços prestados à República, temos por certo que este será um mandato que protegerá a independência judicial e fará espraiar, por toda a magistratura brasileira, uma cultura cada vez mais sólida de cidadania”, declarou.
Quem é Benedito Gonçalves
Benedito Gonçalves é ministro do STJ desde 2008 e também atuou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na Justiça Eleitoral, apoiou iniciativas voltadas à ampliação da participação da população negra no processo eleitoral.
Atualmente, ele é diretor-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam). À frente da instituição, liderou a implementação do Exame Nacional da Magistratura (Enam), criado para estabelecer critérios nacionais para o ingresso na carreira judicial.
O ministro também presidiu uma comissão de juristas responsável por propor avanços na legislação de combate ao racismo.
Benedito Gonçalves toma posse como corregedor do CNJMinistro do STJ defende magistratura mais próxima da sociedade; Fachin diz que poucas trajetórias ilustram tão bem a defesa da democraciaPolítica2026-08-25T22:19:53.749ZO ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves tomou posse nesta terça-feira (25) como novo corregedor nacional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele ficará no cargo até 2028 e sucede Mauro Campbell Marques, que deixou a função após assumir a vice-presidência do STJ. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Gonçalves terá o desafio de assumir como corregedor num momento em que o próprio STJ, por exemplo, enfrenta uma série de escândalos políticos. Na prática, cabe ao corregedor nacional de Justiça apurar denúncias disciplinares contra magistrados, fiscalizar tribunais e estabelecer diretrizes para melhorar o funcionamento do Judiciário. Sobre essas atribuições, Benedito defendeu uma atuação da magistratura mais próxima da sociedade. Segundo ele, a formação de um juiz não deve se limitar ao conhecimento técnico. “É preciso conhecer a sociedade em que se atua e avaliar os efeitos concretos das decisões. Lugar de juiz é próximo à sociedade que depende do serviço judicial”, declarou. Benedito também afirmou que a corregedoria deve atuar como uma “parceira institucional”, com foco na identificação de problemas e na melhoria do funcionamento do Judiciário. Para o ministro, a função não deve se restringir à aplicação de medidas disciplinares. “Gestão, tecnologia, precedentes, metas e racionalização de fluxos produzem resultados concretos. Quem procura a Justiça espera uma decisão em tempo razoável, tratamento digno, previsibilidade e a certeza de que será ouvido por uma instituição séria e acessível”, disse. O ministro apontou ainda a transformação tecnológica como um dos principais desafios do Judiciário. Ele defendeu o uso de novas ferramentas, mas ressaltou que a tecnologia não deve substituir a responsabilidade dos magistrados. “A tecnologia é instrumento e não substituto da responsabilidade humana. A justiça do futuro não será apenas mais digital. Terá de ser mais acessível, clara, simples, confiável e humana”, disse. A cerimônia, realizada na sede do Conselho Nacional de Justiça, em Brasília, reuniu diversas autoridades, entre elas o presidente do STF e do CNJ, Edson Fachin, e os ministros da Corte Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Nunes Marques. Também participaram o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e os governadores Celina Leão (DF) e Ricardo Couto (RJ). Ao discursar no final do evento, Fachin destacou a trajetória de Benedito Gonçalves na magistratura e sua atuação em defesa da democracia. Segundo o ministro, “poucas trajetórias na magistratura brasileira contemporânea ilustram tão bem a defesa da democracia” quanto a de Benedito. “Como Corregedor-Geral da Justiça Eleitoral, coube-lhe atuar diante da desinformação e de inaceitáveis tentativas de se questionar o processo eleitoral brasileiro. E Sua Excelência o fez como devem agir os magistrados: por meio dos autos, das provas, da Constituição e da lei”, disse. O presidente do CNJ também afirmou que a corregedoria tem uma responsabilidade que vai além da apuração e punição de condutas. Para ele, o órgão deve contribuir para preservar a confiança da sociedade na magistratura. “A imensa maioria das magistradas e dos magistrados brasileiros, silenciosamente, todos os dias, em milhares de unidades judiciárias, honra a toga que veste e precisa de apoio, orientação e união, É nosso dever assegurar que a magistratura seja independente sem ser insular; seja respeitada porque é respeitável; e capaz, sobretudo, de compreender que cada prerrogativa que recebe existe para servir ao cidadão”, disse. Fachin concluiu afirmando que Benedito já demonstrou firmeza em momentos de tensão democrática e, agora, terá a missão de exercer liderança dentro da magistratura. “Com essa biografia de tantos serviços prestados à República, temos por certo que este será um mandato que protegerá a independência judicial e fará espraiar, por toda a magistratura brasileira, uma cultura cada vez mais sólida de cidadania”, declarou. Quem é Benedito Gonçalves Benedito Gonçalves é ministro do STJ desde 2008 e também atuou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na Justiça Eleitoral, apoiou iniciativas voltadas à ampliação da participação da população negra no processo eleitoral. Atualmente, ele é diretor-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam). À frente da instituição, liderou a implementação do Exame Nacional da Magistratura (Enam), criado para estabelecer critérios nacionais para o ingresso na carreira judicial. O ministro também presidiu uma comissão de juristas responsável por propor avanços na legislação de combate ao racismo.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/benedito-goncalves-toma-posse-como-corregedor-do-cnj-1
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