Política

Ancine registra "Dark Horse", filme sobre Bolsonaro

Registro de obra é etapa anterior à autorização para comercialização e exibição do longa no Brasil; equipe do filme avalia ser a etapa mais fácil

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Hariane Bittencourt, Basília Rodrigues
Ancine registra "Dark Horse", filme sobre Bolsonaro

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) registrou como obra estrangeira o filme Dark Horse, cinebiografia ficcional sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O registro, no entanto, não significa que o longa já esteja autorizado a ser exibido nos cinemas brasileiros.

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O procedimento é uma das etapas necessárias para a exploração comercial de uma produção estrangeira no país. Segundo a Ancine, o Registro de Obra Estrangeira (ROE) deve ser obtido antes do Certificado de Registro de Título (CRT), documento que permite a exibição e a comercialização regular da obra nos segmentos de mercado regulados pela agência.

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No caso de Dark Horse, o filme foi produzido nos Estados Unidos, tem 1h40 de duração e é dirigido por Cyrus Nowrasteh. No Brasil, a obra será distribuída pela Europa Filmes e terá o título O Azarão

O registro ocorre em meio à controvérsia envolvendo o financiamento da produção. O nome do filme passou a fazer parte da disputa política depois que mensagens e documentos relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, revelaram negociações com o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência e filho do ex-presidente.

Segundo materiais divulgados durante as investigações, Flávio teria negociado com Vorcaro o financiamento de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época. Desse total, ao menos US$ 10,6 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 61 milhões, teriam sido repassados até maio de 2025. Os recursos foram destinados ao fundo Havengate, nos Estados Unidos.

As circunstâncias do financiamento estão sob investigação. A Polícia Federal apura suspeitas relacionadas à origem e à destinação dos recursos utilizados na produção, enquanto a Polícia Civil de São Paulo investiga possíveis irregularidades envolvendo a produtora e um contrato firmado entre uma organização não governamental ligada à responsável pelo filme e a Prefeitura de São Paulo.

Na última sexta-feira (21), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento com a Polícia Federal de provas obtidas na investigação paulista. Flávio Bolsonaro nega irregularidades.

A obtenção do ROE pela Ancine, portanto, não encerra essas questões nem representa uma autorização definitiva para a estreia comercial do filme. Para uma obra estrangeira, o CRT deve ser solicitado depois do ROE, e é esse certificado que permite a exibição regular da produção no Brasil.

Registro é considerado a etapa mais simples pela equipe do filme

Os produtores do filme têm divulgado a obtenção do registro como se o processo estivesse concluído. No entanto, essa é considerada a etapa mais simples, porque o ROE funciona, essencialmente, como um número de protocolo com informações básicas sobre a obra.

A partir desse registro, a distribuidora deverá apresentar a documentação necessária para obter a certificação. Depois disso, o filme ainda precisará passar pela classificação indicativa do Ministério da Justiça.

Em uma etapa posterior, a produção também terá de convencer os exibidores, já que existe resistência por parte de alguns cinemas em relação à exibição de um filme cujo financiamento é alvo de questionamentos.

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