Política

Alvo de Trump, Viotti foi 1ª mulher na embaixada dos EUA

Diplomata de carreira teve visto cancelado pelos Estados Unidos nesta terça-feira (4)

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André Barbeiro
Embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, tornou-se parte da crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos nesta terça-feira (4), após o governo norte-americano cancelar seu visto de entrada no país.

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Primeira mulher a chefiar a Embaixada do Brasil em Washington, Viotti assumiu o posto em 2023, após ter sua indicação aprovada pelo Senado Federal por 44 votos favoráveis, um contrário e uma abstenção. A nomeação foi considerada um marco para a diplomacia brasileira por romper uma tradição histórica de predominância masculina no comando da principal representação diplomática do país nos Estados Unidos.

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Durante a sabatina na Comissão de Relações Exteriores (CRE), a relatora da indicação, senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), destacou o simbolismo da escolha.

"Trata-se da primeira vez na história da nossa diplomacia que uma mulher vai chefiar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Isso fortalece os esforços para a maior representatividade de gênero nos postos mais importantes do serviço exterior brasileiro", afirmou.

Carreira no Itamaraty e na ONU

Natural de Belo Horizonte (MG), Maria Luiza Viotti, de 69 anos, ingressou na carreira diplomática em 1976. É formada em Ciências Econômicas pela Associação de Ensino Unificado de Brasília e mestre em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), além de ter concluído os cursos de Aperfeiçoamento de Diplomatas e de Altos Estudos do Instituto Rio Branco.

Ao longo de quase cinco décadas no Itamaraty, ocupou cargos estratégicos, como diretora do Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais e diretora do Departamento de Organismos Internacionais.

No exterior, foi conselheira da Embaixada do Brasil na Bolívia, embaixadora do Brasil na Alemanha entre 2013 e 2016 e representante permanente do Brasil nas Nações Unidas de 2007 a 2013. Entre 2017 e 2022, chefiou o gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, tornando-se uma das diplomatas brasileiras de maior projeção internacional.

Visto foi cancelado em meio à crise entre Brasil e EUA

O governo dos Estados Unidos disse ter cancelado o visto de Maria Luiza Viotti em resposta à decisão do governo brasileiro de ainda não conceder o agrément — autorização diplomática necessária para que um embaixador estrangeiro assuma o cargo — a Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump para representar Washington em Brasília.

Segundo autoridades norte-americanas, o visto da diplomata será restabelecido assim que o Brasil conceder a autorização ao indicado pelos Estados Unidos. Washington também justificou a medida citando episódios recentes de tensão diplomática, como a negativa de vistos a integrantes do Departamento de Estado e a demora na análise da indicação do novo embaixador.

Não existe prazo oficial para a concessão do agrément. Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto afirmavam que o governo brasileiro não pretendia acelerar a análise da indicação, mas também não atrasá-la deliberadamente. A avaliação era de que não havia urgência diante do atual cenário de tensão diplomática entre os dois países.

Até o momento, o governo brasileiro não informou quando pretende concluir a análise do pedido nem anunciou medidas em resposta ao cancelamento do visto da embaixadora.

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