À PF, Vorcaro admite crise de liquidez do Master, mas diz que banco "sempre honrou compromissos"
Banqueiro também avaliou que a falta de ação do Banco Central levou crise a se alastrar pelo sistema financeiro


Basília Rodrigues
Victor Schneider
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, admitiu em depoimento à Polícia Federal (PF) que a instituição passava por uma crise de liquidez, mas destacou sempre ter honrado “todos os compromissos” e acumular “mais ativos que passivos" na carteira.
Vorcaro justificou o problema por uma mudança nas regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) movida, segundo ele, por pressão de bancões. O Master foi liquidado em 18 de novembro do ano passado e tem sido alvo de escrutínio do Banco Central (BC) e da Polícia Federal (PF) por suspeita de operar de forma irregular no mercado financeiro.
”O plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso, essa era a regra do jogo. E após a gente começar a crescer, muda-se a regra do jogo", declarou Vorcaro, conforme o depoimento.
A informação sobre o encontro foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo. O SBT News confirmou a notícia e teve acesso ao conteúdo completo, que tem cerca de 70 páginas.
Vorcaro atribuiu a crise no Master a uma campanha para destruir a reputação do banco e disse ter trabalhado para evitar que os problemas ligados à instituição se alastrassem pelo sistema bancário brasileiro.
“Independente de questões, acho que a proteção do sistema financeiro deveria ter sido a questão primordial e era o que eu estava fazendo. Sentava com concorrentes, tentei fazer negócio com concorrentes, sentei com investidores estrangeiros”, afirmou o banqueiro.
Ele disse ainda não acreditar que o BC tenha sido célere o suficiente para evitar que o problema contaminasse o resto das operações do mercado. Desde a liquidação do Master, outras 6 instituições financeiras também sofreram intervenções do BC.
“Acredito que a ação do Banco Central ao final, no dia 17, prejudicou não só a mim, mas principalmente o mercado financeiro, o sistema financeiro [...] deveria sim, obviamente, investigar essa questão das carteiras, mas não propiciar e executar não somente uma operação e uma liquidação do banco gerando esse prejuízo que poderia ter sido evitado".
BRB
Vorcaro também citou a tentativa de compra do BRB (Banco de Brasília), alegando que a operação virou uma “gincana” de exigências propiciada pelo Departamento de Organização do Sistema Financeiro (Deorf).
“A gente foi se adequando a todos os pedidos, acreditando que aquele negócio daria certo", disse. Apesar de afirmar ter se adequado às exigências para evitar uma concentração de mercado, ele se declarou “surpreso” pela liquidação do banco pouco antes de ter, conforme o depoimento, encontrado uma solução para encaminhar a compra do BRB.








