Política

30 anos de urna: criador explica como funciona a segurança

Giuseppe Janino explica ao SBT News como a urna é testada e quais mecanismos ajudam a garantir a segurança do sistema

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Naiara Ribeiro

A urna eletrônica brasileira completa 30 anos em 2026. De lá para cá, o equipamento passou por mudanças e ganhou novos recursos de segurança e fiscalização, além de atualizações a cada eleição. Em entrevista ao SBT News, Giuseppe Dutra Janino, considerado um dos “pais da urna eletrônica”, falou sobre essa evolução e explicou como funciona a segurança do sistema. Ele participou da criação do equipamento, foi secretário de Tecnologia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e hoje atua como consultor em eleições digitais.

“Fazemos agora 30 anos da utilização da urna eletrônica, que transformou o processo eleitoral brasileiro. Ela surgiu justamente para resolver um grande problema, que era a intervenção humana no processo. E onde havia a intervenção humana, havia três atributos vinculados ao ser humano: a lentidão, a prática de erros e muitas fraudes envolvidas no processo”, afirmou.

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Com a chegada da urna, também surgiram novas formas de verificar a segurança do sistema e conferir se os programas usados nas eleições sofreram alguma alteração. “A partir do momento em que se transformou um processo tradicional, convencional ou manual em digital, foram desenvolvidos vários atributos que só existem no paradigma digital. Então, certamente, o processo hoje é extremamente mais auditável e seguro, porque nós temos várias ferramentas que estão ali desenvolvidas no campo, no cenário da tecnologia, como assinaturas digitais, hashes, rastreabilidade e verificações”, explicou.

Segundo o TSE, o hash funciona como uma identificação do arquivo: se o conteúdo for alterado, o código também muda. Já as assinaturas digitais permitem verificar a autenticidade dos arquivos usados no sistema eleitoral.

Urna passa por testes de segurança

Entre as etapas estão os Testes Públicos de Segurança, realizados desde 2009. Especialistas, peritos da Polícia Federal, representantes de universidades e partidos e cidadãos podem participar. Durante os testes, eles têm acesso ao sistema e tentam encontrar possíveis falhas. Janino usa o termo “hacker” para se referir a quem faz essas tentativas.

“O hacker, quando ele é inscrito, tem acesso a todas as informações, aos algoritmos, aos códigos-fonte e à própria urna eletrônica aberta para que ele possa desenvolver ali o seu plano de ataque. Depois, ele tem uma semana para desenvolver ou implementar o seu plano de ataque. E, à medida em que ele executa o seu plano de ataque, ele é acompanhado por uma equipe da Justiça Eleitoral”, explicou.

Se o participante conseguir passar por alguma barreira de segurança, a equipe registra o problema e faz as correções. Depois, ele repete o teste para verificar se a falha foi resolvida. “Se ele não conseguir mais passar por aquelas barreiras eventuais vencidas, significa que o software está pronto para ser utilizado na eleição”, disse.

Fiscalização começa antes da votação

Cerca de um ano antes da eleição, o criado dos sistema conta que os programas que serão usados nas urnas são abertos para que mais de 15 instituições possam analisá-los. Entre elas estão partidos políticos, universidades, Polícia Federal e Tribunal de Contas da União (TCU): “Esses softwares são abertos para que as instituições possam analisar linha por linha de cada programa que será utilizado. No final dessa verificação, nós temos um procedimento chamado de lacração, que é uma espécie de blindagem dos programas que foram analisados e verificados”.

Depois dessa etapa, assinaturas digitais e códigos de verificação permitem identificar se algum programa sofreu alteração. Uma cópia fica guardada no TSE e outras seguem para os tribunais regionais, onde os sistemas são instalados nas urnas.

A conferência continua no dia da votação. Antes de começar a funcionar, a urna verifica as assinaturas dos programas instalados.

“Quando a urna é acionada, o primeiro passo que ela faz é ler as assinaturas. Se as assinaturas conferem, ela funciona. Se não conferir, não vai funcionar. Portanto, é impossível, inviável que um software estranho ou um software alterado, seja por um ponto ou por uma vírgula, funcione na urna eletrônica brasileira”, afirmou.

Ao fazer um balanço dos 30 anos, Janino enxerga que as mudanças não ficaram restritas ao equipamento: os programas e as formas de fiscalizar o processo também foram atualizados.

“O fato é que a urna eletrônica brasileira tem 30 anos de utilização e não há sequer um caso ou evidência de fraude relatados. Então o eleitor pode estar seguro que o seu voto vai ser contado e a sua, o seu desejo e a sua vontade vão estar garantidos diante desse cenário de eleições digitais que o Brasil hoje entrega”, concluiu.

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