Quadrilha que roubava servidores públicos por meio digital é presa no DF
O grupo invadia sistemas do governo e de bancos para contratar empréstimos em nome das vítimas e desviar o dinheiro


Pedro Canguçu
Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desarticulou nesta quinta-feira (29) uma quadrilha especializada em golpes eletrônicos contra servidores públicos. O grupo invadia sistemas do governo e de bancos para contratar empréstimos em nome das vítimas e desviar o dinheiro.
Batizada de operação Duplo Fator, a ação foi conduzida pela 26ª Delegacia de Polícia, com apoio da Divisão de Operações Policiais (DOE) e das polícias civis de Goiás e Mato Grosso. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão e oito de busca e apreensão em endereços no DF, em Goiás e em Mato Grosso.
Escritórios temporários e invasão ao sistema Sou.Gov: como esquema funcionava
As investigações apontaram que a quadrilha atuava de forma organizada e itinerante. Os suspeitos alugavam imóveis por temporada, como apartamentos do Airbnb, e montavam escritórios temporários, equipados com computadores e impressoras, usados exclusivamente para a prática dos crimes.
O grupo utilizava softwares para cruzamento de dados e seleção das vítimas. O foco eram servidores públicos com boa renda, margem consignável livre e nome limpo, considerados alvos ideais para a contratação de empréstimos.
Para abrir contas bancárias em nome das vítimas, os criminosos recrutavam pessoas em situação de vulnerabilidade, usadas para burlar os sistemas de reconhecimento facial das instituições financeiras. Essas pessoas tinham suas fotos inseridas em documentos falsificados, como RGs e CNHs, com os dados reais dos servidores.
Depois de abertas, as contas eram movimentadas com pequenos valores para simular uma rotina financeira legítima. Em seguida, os criminosos solicitavam cartões de crédito e aumentavam os limites, preparando o terreno para os golpes maiores.
Paralelamente, a quadrilha também invadia o sistema Sou.Gov, derrubando a autenticação de dois fatores e elevando o nível das contas das vítimas para as categorias prata ou ouro, o que permitia a contratação de empréstimos consignados fraudulentos.
Somente em dois casos investigados no Distrito Federal, o prejuízo chegou a R$ 244 mil em um banco e R$ 120 mil em outro. A Justiça determinou o bloqueio de valores para tentar ressarcir os bancos e descapitalizar a organização criminosa.
Segundo a polícia, os líderes do grupo encaravam a atividade criminosa como uma profissão, mantendo uma rotina diária de golpes para sustentar o padrão de vida. Os presos vão responder por organização criminosa e estelionato eletrônico. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos e possíveis novas vítimas.









