Cidades

Polícia resgata pessoas LGBTs de condições análogas à escravidão em Minas Gerais

Além de sofrer com jornadas exaustivas e violência física e psicológica, uma das vítimas foi tatuada com as iniciais dos empregadores

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SBT News, com informações do Estado de Minas
26/04/2025, 20:22 • Atualizado em 26/04/2025, 20:22
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Tatuagem com iniciais dos patrões foi feita em uma das vítimas | Auditoria-Fiscal do Trabalho/Divulgação

Tatuagem com iniciais dos patrões foi feita em uma das vítimas | Auditoria-Fiscal do Trabalho/Divulgação

Um homem homossexual e uma mulher transgênero foram resgatados de condições análogas à escravidão na cidade de Planura, em Minas Gerais. Um deles chegou a ser tatuado com as iniciais dos empregadores.

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As vítimas, um nordestino e uma uruguaia, foram atraídas por meio de anúncios nas redes sociais com uma falsa promessa de acolhimento. Três empregadores ofereciam casa, comida e auxílio para conclusão de estudos.

A realidade era bem diferente da oferta. As vítimas foram submetidas a jornadas exaustivas e violência física e psicológica. De acordo com a investigação, os criminosos miravam pessoas LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade.

O homem resgatado foi vítima dos criminosos por quase uma década, trabalhando como empregado doméstico sem registro ou salário.

Nesse período, acumulou cicatrizes de agressões físicas, abusos sexuais e psicológicos, e viveu sob a ameaça constante de ter imagens íntimas, feitas sem seu consentimento, expostas como forma de controle. Em um gesto de posse, ele também teve o corpo tatuado com as iniciais de dois patrões.

A mulher também enfrentou o mesmo ambiente de exploração. Também inserida em trabalho doméstico informal, ela foi obrigada a atuar em condições degradantes, sem receber salário mínimo garantido e exposta a constantes episódios de violência.

Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, o clima de terror instalado na casa a levou a sofrer um acidente vascular cerebral enquanto realizava suas tarefas.

A operação que libertou as vítimas foi realizada entre os dias 8 e 15 de abril, após denúncia recebida pelo Disque 100. A ação reuniu auditores fiscais do trabalho, Polícia Federal (PF), Ministério Público do Trabalho e equipes da Clínica de Enfrentamento ao Trabalho Escravo do Centro Universitário Presidente Antônio Carlos (UNIPAC).

Três homens — um contador de 57 anos, um administrador de 40 e um professor de 24 — foram presos em flagrante, segundo informações da PF. Segundo as investigações, eles formavam um trisal e usavam a confiança construída em comunidades LGBTQIAPN+ para atrair novas vítimas.

As vítimas, que tiveram suas identidades preservadas, estão agora sob cuidados especializados da Clínica de Enfrentamento ao Trabalho Escravo da Universidade Federal de Uberlândia e do UNIPAC, recebendo acolhimento psicológico, assistência jurídica e apoio para reconstruir suas vidas longe da violência.

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