PM encontrado morto na Grande SP teria sido executado por "tribunal do crime"
Corpo de policial foi encontrado enterrado em Embu-Guaçu; investigação aponta execução ordenada por facção criminosa

Flavia Travassos
O policial militar Fabrício Gomes de Santana, de 40 anos, teria sido executado por um tribunal do crime realizado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo a investigação.
O corpo do PM foi encontrado no último domingo (11), em Embu-Guaçu, após ficar quatro dias desaparecido.
Quatro suspeitos foram presos até o momento. À polícia, eles relataram que o policial teria se desentendido com um integrante do PCC em um bar de uma comunidade dominada pela facção. A partir disso, a execução teria sido ordenada.
A polícia chegou ao local após denúncia anônima. Com o apoio de cães farejadores, o corpo foi encontrado enterrado em uma área de mata. A identificação ocorreu por meio de impressões digitais, segundo a investigação.
Exames realizados pelo Instituto Médico Legal indicaram traumatismo craniano e sinais compatíveis com tortura, conforme laudo preliminar. A polícia afirma que Fabrício foi vítima de uma execução ligada ao tribunal do crime
O que é o “tribunal do crime”?
A execução de um policial militar na São Paulo reacendeu o alerta das autoridades para a atuação do chamado “tribunal do crime”, mecanismo usado por facções para impor punições ilegais.
O chamado tribunal do crime é um julgamento informal e ilegal, conduzido por facções criminosas. Segundo especialistas, o grupo acusa, julga e executa punições que não existem na legislação brasileira, incluindo a pena de morte.
De acordo com a polícia, a comunidade de Paraisópolis é considerada um dos principais pontos de atuação desse tipo de prática, funcionando como uma espécie de “corte” do tribunal do crime comandado pelo PCC.
"Um mecanismo informal de julgamento e punição. Isso normalmente é associado a organizações criminosas. São instituições totalmente fora da lei, longe de qualquer previsão legal, que aplicam penas completamente arbitrárias, sem observância do devido processo legal", diz a delegada do caso.
O procurador de Justiça aposentado Augusto Rossini com mais de trinta anos de atuação no Ministério Público de São Paulo (MPSP), defende penas maiores, o combate à lavagem de dinheiro e uma resposta à morte do PM.
"Ele é um profissional do Estado, remunerado com o nosso imposto, o que é uma afronta. O Estado tem que dar uma resposta forte e poderosa, levá-los a um tribunal de Justiça legítimo, coisa que eles não fazem."









