Cidades

Polícia Federal descobre corrupção em estatal de portos ao desmontar pirâmide de criptomoedas

Operação mira irmão de ex-governador Roberto Requião, que foi superintendente da Portos do Paraná, e escondia R$ 5 milhões na Áustria

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Ricardo Brandt
09/05/2024, 16:04 • Atualizado em 09/05/2024, 21:43
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Polícia Federal descobre corrupção em estatal de portos ao desmontar pirâmide de criptomoedas

Quando a Polícia Federal desmontou um golpe de R$ 1,5 bilhão por meio de pirâmide financeira com criptomoedas, em 2021, os agentes não esperavam que o golpe de estelionato levaria à descoberta de um esquema de corrupção em contratos da Portos do Paraná, estatal que administra os portos do estado.

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Três anos depois, policiais deflagraram nesta quinta-feira (9) a Operação Serendipitia, que investiga fraudes e corrupção nos contratos públicos da Portos do Paraná. O nome da operação faz referência ao termo em inglês "serendipity", que fala sobre uma descoberta ao acaso, por sorte.

Os dois principais alvos são o ex-superintendente da Portos do Paraná Eduardo Requião e Valmor Felippeto, que acabou caindo nas apurações do esquema de lavagem de dinheiro dos alvos da investigação sobre pirâmide de criptomoedas, na Operação Daemon.

O SBT News apurou que dois diretores no Brasil da empresa holandesa também são investigados.

O delegado da PF Filipe Hille Pace explicou que, entre 2009 a 2017, um operador financeiro pego no esquema da pirâmide manteve R$ 5 milhões em um banco na Áustria. A fortuna pertencia, na verdade, ao ex-superintendente da estatal.

A PF buscou ajuda na Áustria e nos Estados Unidos, onde também foram identificados rastros do dinheiro, supostamente oriundo de corrupção em negócios da Portos do Paraná. Foram fechados acordos de cooperação jurídica internacional e os bancos dos dois países enviaram novas provas.

Segundo as apurações, "os documentos recebidos de instituição financeira austríaca revelaram que, em 2009, uma companhia holandesa realizou três pagamentos em favor da conta administrada pelo empresário", que era o operador do dinheiro.

Foram identificados depósitos de R$ 3 milhões, que tinham como destino final o ex-superintendente da estatal. "A empresa havia recém celebrado contrato público e aditivos com a estatal administradora dos portos, em valor superior a R$ 30 milhões, para execução de serviços de dragagem no Canal da Galheta, em Paranaguá (PR)", explicou o delegado.

Golpe

A PF descobriu que o agente público quase perdeu a fortuna que estava guardada fora do Brasil. "O estelionatário condenado na Operação Daemon acabou por se apropriar dela e desviá-la."

Alvo de "cobranças e ameaças", ele devolveu o dinheiro. Segundo a apuração, o homem fez "diversas operações financeiras de lavagem de capitais para restituir os valores ao ex-superintendente", de 2018 a 2021.

A fortuna foi transferida de volta para o Brasil com ajuda da mulher e de dois filhos do ex-superintendente, por meio de "operações ilegais de câmbio, movimentação de valores em espécie, depósitos fracionados e transferências bancárias com apresentação de justificativas falsas".

Os alvos da Serendipitia devem ser indiciados por crimes de lavagem transnacional de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva e de associação criminosa. Cerca de 30 policiais participaram das buscas em Curitiba e no Rio de Janeiro. Foram 10 mandados de busca e apreensão e 13 de sequestro de bens, determinados pela pela 14ª Vara Federal de Curitiba.

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