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Polícia

Juiz aposentado é investigado por viver 40 anos com identidade falsa em SP

Farsa foi descoberta no Poupatempo Sé, quando o ex-magistrado tentava renovar seu RG; a motivação da "dupla identidade" ainda é desconhecida

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Juiz aposentado é investigado por viver 40 anos com identidade falsa em SP | Foto: Reprodução
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O juiz aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo, Edward Albert Lancelot Dodd-Canterbury Caterham Wickfield, está sendo investigado pelo Ministério Público estadual por falsidade ideológica e uso de documentos falsos por mais de 40 anos, período em que construiu toda sua trajetória profissional.

De acordo com a denúncia, José Eduardo Franco dos Reis teria adotado o nome fictício de Edward desde 1980. Com documentos falsos, ele ingressou, em 1922, na Universidade de São Paulo e entrou na carreira jurídica no ano de 1995, após passar em concurso de Juiz de Direito, onde permaneceu no cargo até sua aposentadoria, em 2018.

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A farsa só foi descoberta quando o investigado procurou uma unidade do Poupatempo Sé, no centro de São Paulo, para renovar seu documento de identidade. O sistema de biometria revelou que as digitais pertenciam a José Eduardo, e não ao cidadão britânico que ele alegava ser. De acordo com as novas regras, a instituição não pode recolher o documento apresentado pelo ex-magistrado.

Segundo o promotor Maurício Salvadori, os documentos falsificados perduraram em função da falta de dispositivos gráficos ou técnicos para identificar irregularidades, como a comparação de identidades biométricas no banco de dados. Salvadori ainda aponta que o acusado manteve as duas identidades ativas, utilizando cada uma conforme sua necessidade. Em determinado momento, chegou a obter uma nova via de seu RG verdadeiro, onde declarou que era comerciante com escolaridade básica, mesmo já formado em direito e atuando como juiz.

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Ainda de acordo com a denúncia formal, a Promotoria ainda aponta ao menos outras três ocasiões em que os crimes teriam sido cometidos em órgãos públicos, sendo no Departamento Estadual de Trânsito (Detran), no prontuário do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) e no Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD).

Em depoimento à polícia, José Eduardo afirmou que Wickfield seria seu irmão gêmeo, entregue a outra família na infância. Ele afirmou que só teria conhecido o suposto parente na década de 1980, após o falecimento do pai, e forneceu às autoridades um endereço em Londres como referência.

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