Jovem acusado injustamente por golpe em turista russo é libertado após 57 dias
Isac Rodrigues foi preso com base em um reconhecimento irregular e só teve a inocência considerada após novas provas virem à tona
S
N
Simone Queiroz, Marcos Guedes, Natalia Vieira
Isac Rodrigues de Miranda foi solto após 57 dias preso, acusado de aplicar o golpe conhecido como "Boa Noite Cinderela" em um turista russo, em uma boate no centro de São Paulo, em novembro do ano passado. A vítima teve o celular e o cartão do banco roubados dentro do banheiro, onde desmaiou após consumir cocaína com o autor do crime.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
"Tratado que nem um lixo, é horrível, a pior sensação que você pode sentir", desabafa Isac.
"Não tem explicação o que eu tô sentindo agora de ver ele liberto, poder voltar à vida dele. O patrão dele ligou e falou: 'tô esperando o Isac sair'", conta Alessandra Rodrigues, tia do jovem.
Cerca de um mês atrás, o SBT mostrou o drama do jovem. O extrato bancário do turista indicava que seu cartão foi usado em uma maquininha registrada em nome de "Isac Rodrigues Da.". O turista buscou o nome nas redes sociais, encontrou o perfil de Isac e o identificou como autor do golpe, embora estivesse bêbado e drogado quando levou o golpe.
O russo a polícia, que solicitou a prisão de Isac, autorizada pela Justiça, sem que o jovem — de 25 anos e com déficit intelectual — fosse ouvido.
"Falaram 'tem um mandado pro Isac', me pegaram, vasculharam minha casa, não acharam nada de ilícito e me colocaram na viatura. E eu tentando explicar: ‘Não, mas como? Você bateu na casa errada, aqui é casa de trabalhador, pô. Nunca fiz nada errado, nunca entrei numa delegacia.’ Eles não quiseram saber de nada", relatou Isac.
Isac só foi libertado após a juíza do caso ouvir os policiais responsáveis pela investigação, ou melhor, que deveriam tê-la feito. Um dado básico — o registro de entrada na boate — provava que ele não esteve no local no dia do crime. Essa informação, entretanto, foi solicitada pela defesa, e não pela polícia, que deveria ter sido a primeira a buscar esse tipo de prova.
Além da lista de presença, a boate também entregou um vídeo em que aparecem o turista russo e o verdadeiro autor do crime, um frequentador conhecido do local. O nome do verdadeiro criminoso é conhecido, e ele já foi flagrado usando drogas ilícitas na boate. As informações foram enviadas à polícia ainda em janeiro, mas não constam no inquérito.
"Essas imagens chegaram a ser solicitadas na fase do inquérito, porém a polícia achou que elas não seriam necessárias e concluiu as investigações", informou Gabriel Frias, advogado de defesa de Isac.
Quando o rapaz foi preso, em março, o turista russo já havia deixado o Brasil. Foi feito um "reconhecimento" por videoconferência, com apresentação de fotos — uma violação do artigo 226 do Código de Processo Penal, que exige o reconhecimento presencial, com outras pessoas de características físicas semelhantes ao suspeito.
"Da forma como foi conduzida, é uma investigação absolutamente tendenciosa, que toma por verdade uma indicação feita pela vítima, mas que em momento algum se preocupa em investigar outros elementos", criticou o advogado.
Apesar de ter deixado a cadeia, Isac ainda não é um homem livre. O processo segue em andamento a pedido do Ministério Público — o mesmo que recomendou a abertura da ação com base em um inquérito considerado frágil pela defesa.
"Esses traumas que eu passei não dá para apagar não. Esse lugar é terra de ninguém, insalubre", disse Isac, emocionado. "Agora, é Agradecer a Deus... abraçar minha família, minha tia, minha avó, meu tio, minha família, todo mundo", disse ele, no reencontro com os familiares.
Jovem acusado injustamente por golpe em turista russo é libertado após 57 dias Isac Rodrigues foi preso com base em um reconhecimento irregular e só teve a inocência considerada após novas provas virem à tonaCidades2025-05-21T01:32:16.984ZIsac Rodrigues de Miranda foi solto após 57 dias preso, acusado de aplicar o golpe conhecido como "Boa Noite Cinderela" em um turista russo, em uma boate no centro de São Paulo, em novembro do ano passado. A vítima teve o celular e o cartão do banco roubados dentro do banheiro, onde desmaiou após consumir cocaína com o autor do crime. "Tratado que nem um lixo, é horrível, a pior sensação que você pode sentir", desabafa Isac. "Não tem explicação o que eu tô sentindo agora de ver ele liberto, poder voltar à vida dele. O patrão dele ligou e falou: 'tô esperando o Isac sair'", conta Alessandra Rodrigues, tia do jovem. Cerca de um mês atrás, . O extrato bancário do turista indicava que seu cartão foi usado em uma maquininha registrada em nome de "Isac Rodrigues Da.". O turista buscou o nome nas redes sociais, encontrou o perfil de Isac e o identificou como autor do golpe, embora estivesse bêbado e drogado quando levou o golpe. O russo a polícia, que solicitou a prisão de Isac, autorizada pela Justiça, sem que o jovem — de 25 anos e com déficit intelectual — fosse ouvido. "Falaram 'tem um mandado pro Isac', me pegaram, vasculharam minha casa, não acharam nada de ilícito e me colocaram na viatura. E eu tentando explicar: ‘Não, mas como? Você bateu na casa errada, aqui é casa de trabalhador, pô. Nunca fiz nada errado, nunca entrei numa delegacia.’ Eles não quiseram saber de nada", relatou Isac. Isac só foi libertado após a juíza do caso ouvir os policiais responsáveis pela investigação, ou melhor, que deveriam tê-la feito. Um dado básico — o registro de entrada na boate — provava que ele não esteve no local no dia do crime. Essa informação, entretanto, foi solicitada pela defesa, e não pela polícia, que deveria ter sido a primeira a buscar esse tipo de prova. Além da lista de presença, a boate também entregou um vídeo em que aparecem o turista russo e o verdadeiro autor do crime, um frequentador conhecido do local. O nome do verdadeiro criminoso é conhecido, e ele já foi flagrado usando drogas ilícitas na boate. As informações foram enviadas à polícia ainda em janeiro, mas não constam no inquérito. "Essas imagens chegaram a ser solicitadas na fase do inquérito, porém a polícia achou que elas não seriam necessárias e concluiu as investigações", informou Gabriel Frias, advogado de defesa de Isac. Quando o rapaz foi preso, em março, o turista russo já havia deixado o Brasil. Foi feito um "reconhecimento" por videoconferência, com apresentação de fotos — uma violação do artigo 226 do Código de Processo Penal, que exige o reconhecimento presencial, com outras pessoas de características físicas semelhantes ao suspeito. "Da forma como foi conduzida, é uma investigação absolutamente tendenciosa, que toma por verdade uma indicação feita pela vítima, mas que em momento algum se preocupa em investigar outros elementos", criticou o advogado. Apesar de ter deixado a cadeia, Isac ainda não é um homem livre. O processo segue em andamento a pedido do Ministério Público — o mesmo que recomendou a abertura da ação com base em um inquérito considerado frágil pela defesa. "Esses traumas que eu passei não dá para apagar não. Esse lugar é terra de ninguém, insalubre", disse Isac, emocionado. "Agora, é Agradecer a Deus... abraçar minha família, minha tia, minha avó, meu tio, minha família, todo mundo", disse ele, no reencontro com os familiares.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/policia/jovem-acusado-injustamente-por-golpe-em-turista-russo-e-libertado-apos-57-dias
Caiado mira eleitor de Flávio e desafia Lula para debates
Oficializado pelo PSD para a Presidência, ex-governador disse que vencerá o atual presidente no segundo turno e chamou o senador do PL de “candidato Kinder Ovo"