Cidades

Jovem acusado injustamente por golpe em turista russo é libertado após 57 dias

Isac Rodrigues foi preso com base em um reconhecimento irregular e só teve a inocência considerada após novas provas virem à tona

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Simone Queiroz, Marcos Guedes, Natalia Vieira
21/05/2025, 01:32 • Atualizado em 21/05/2025, 01:32
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Isac Rodrigues de Miranda foi solto após 57 dias preso, acusado de aplicar o golpe conhecido como "Boa Noite Cinderela" em um turista russo, em uma boate no centro de São Paulo, em novembro do ano passado. A vítima teve o celular e o cartão do banco roubados dentro do banheiro, onde desmaiou após consumir cocaína com o autor do crime.

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"Tratado que nem um lixo, é horrível, a pior sensação que você pode sentir", desabafa Isac.
"Não tem explicação o que eu tô sentindo agora de ver ele liberto, poder voltar à vida dele. O patrão dele ligou e falou: 'tô esperando o Isac sair'", conta Alessandra Rodrigues, tia do jovem.

Cerca de um mês atrás, o SBT mostrou o drama do jovem. O extrato bancário do turista indicava que seu cartão foi usado em uma maquininha registrada em nome de "Isac Rodrigues Da.". O turista buscou o nome nas redes sociais, encontrou o perfil de Isac e o identificou como autor do golpe, embora estivesse bêbado e drogado quando levou o golpe.

O russo a polícia, que solicitou a prisão de Isac, autorizada pela Justiça, sem que o jovem — de 25 anos e com déficit intelectual — fosse ouvido.

"Falaram 'tem um mandado pro Isac', me pegaram, vasculharam minha casa, não acharam nada de ilícito e me colocaram na viatura. E eu tentando explicar: ‘Não, mas como? Você bateu na casa errada, aqui é casa de trabalhador, pô. Nunca fiz nada errado, nunca entrei numa delegacia.’ Eles não quiseram saber de nada", relatou Isac.

Isac só foi libertado após a juíza do caso ouvir os policiais responsáveis pela investigação, ou melhor, que deveriam tê-la feito. Um dado básico — o registro de entrada na boate — provava que ele não esteve no local no dia do crime. Essa informação, entretanto, foi solicitada pela defesa, e não pela polícia, que deveria ter sido a primeira a buscar esse tipo de prova.

Além da lista de presença, a boate também entregou um vídeo em que aparecem o turista russo e o verdadeiro autor do crime, um frequentador conhecido do local. O nome do verdadeiro criminoso é conhecido, e ele já foi flagrado usando drogas ilícitas na boate. As informações foram enviadas à polícia ainda em janeiro, mas não constam no inquérito.

"Essas imagens chegaram a ser solicitadas na fase do inquérito, porém a polícia achou que elas não seriam necessárias e concluiu as investigações", informou Gabriel Frias, advogado de defesa de Isac.

Quando o rapaz foi preso, em março, o turista russo já havia deixado o Brasil. Foi feito um "reconhecimento" por videoconferência, com apresentação de fotos — uma violação do artigo 226 do Código de Processo Penal, que exige o reconhecimento presencial, com outras pessoas de características físicas semelhantes ao suspeito.

"Da forma como foi conduzida, é uma investigação absolutamente tendenciosa, que toma por verdade uma indicação feita pela vítima, mas que em momento algum se preocupa em investigar outros elementos", criticou o advogado.

Apesar de ter deixado a cadeia, Isac ainda não é um homem livre. O processo segue em andamento a pedido do Ministério Público — o mesmo que recomendou a abertura da ação com base em um inquérito considerado frágil pela defesa.

"Esses traumas que eu passei não dá para apagar não. Esse lugar é terra de ninguém, insalubre", disse Isac, emocionado. "Agora, é Agradecer a Deus... abraçar minha família, minha tia, minha avó, meu tio, minha família, todo mundo", disse ele, no reencontro com os familiares.

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