Intoxicação por metanol: mãe e filha são presas por falsificação de bebidas em SP
Operação no interior de SP encontrou mais de 5 mil litros de álcool usado em esquema ilegal com alto risco à saúde; estado teve 10 mortes por intoxicação


Fabio Diamante
Robinson Cerantula
Uma operação da polícia contra a falsificação de bebidas alcoólicas prendeu, em flagrante, mãe e filha no interior de São Paulo. O esquema investigado já está relacionado à morte de 22 pessoas no Brasil, sendo 10 no estado paulista.
As presas são Elisabeth Aparecida Zerbinato da Silva, de 70 anos, e a filha dela, Mariella Guedes da Silva, de 37.
Segundo a investigação, o esquema era liderado por Valter Guedes da Silva, de 76 anos, conhecido como “Valter Álcool Limeira”, que já possui antecedentes criminais e usa tornozeleira eletrônica.
Por problemas de saúde, ele teria passado o comando do negócio para a esposa, enquanto a filha ficava responsável pelos pagamentos.
A investigação chegou a um depósito na cidade de Limeira, apontado como o principal centro de distribuição de insumos usados na adulteração de bebidas.
No local, os policiais encontraram mais de 5 mil litros de álcool de cereal, substância utilizada para fabricar bebidas falsificadas. Segundo a polícia, o produto era misturado com corantes e outros componentes para imitar destilados conhecidos.
De acordo com as autoridades, o álcool de cereal apreendido tinha teor alcoólico de até 96%, muito acima do limite permitido pela legislação brasileira, que é de 60%.
O que dizem as investigações?
Conversas interceptadas pela polícia indicam que as suspeitas sabiam da ilegalidade do esquema.
Em um dos diálogos, uma das investigadas afirma que não poderia vender o produto pelo preço oferecido porque “não valeria o risco”, evidenciando consciência sobre a atividade criminosa.
Além de Limeira, os policiais cumpriram mandados de busca em Rio Claro, também no interior paulista.
O local seria usado para lavagem de garrafas reutilizadas na falsificação das bebidas.









