Facções expulsam famílias de casas e deixam distrito deserto no interior do Ceará
Em um ano e nove meses, estado registrou mais de 200 casos de expulsão de moradores por grupos criminosos
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Pâmela Marinho, Ricardo Taíra
10/11/2025, 23:44 • Atualizado em 11/11/2025, 05:16
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Desde agosto, 42 pessoas foram presas no Ceará, suspeitas de expulsar moradores de suas casas. De acordo com a Polícia Civil, o objetivo dos criminosos é usar os imóveis como esconderijos para facções.
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No pequeno distrito da zona rural de Morada Nova, no interior do estado, o cenário é de cidade fantasma. Cerca de 300 famílias foram obrigadas a abandonar suas casas após ameaças de grupos criminosos.
Em Pacatuba, na região metropolitana de Fortaleza, a situação se repetiu. Criminosos expulsaram famílias de pelo menos 30 residências, em setembro.
Um relatório da Polícia Civil do Ceará aponta que o estado registrou 219 ocorrências de expulsões de moradores por facções criminosas entre janeiro de 2024 e setembro de 2025 — um período de um ano e nove meses. Somente em Fortaleza, foram 143 casos em 52 bairros.
Muitas das comunidades atingidas já enfrentam vulnerabilidade social, marcada por pobreza, falta de serviços básicos e exclusão. Segundo o relatório, “essa situação tem impacto direto sobre a juventude, que acaba sendo recrutada para atividades ilícitas, seja por coação, seja pela ausência de oportunidades”.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Ceará, 42 suspeitos foram presos desde agosto, acusados de participação nesses deslocamentos forçados.
O delegado Jaime de Paula Pessoa afirma que apenas a presença policial não é suficiente para conter o problema. “Fazer a prisão ou a permanência da polícia em determinado local é enxugar gelo. Nós temos, na verdade, que fazer a ocupação do estado como um todo”, diz.
“Uma ação social mais presente, com trabalho e emprego, com educação e várias outras iniciativas do estado depois da faxina que a polícia venha a fazer”, completa o delegado.
Mesmo dentro da capital, há conjuntos habitacionais dominados pelo crime organizado e com número cada vez menor de moradores, que vivem com medo da violência.
O delegado explica que as expulsões estão ligadas à tentativa das facções de expandir o controle territorial. “É uma política do crime organizado em cima dessa expansão de território. Temos as expulsões quando o morador não atende às exigências impostas pela organização criminosa do local — como pagar pedágio ou transformar a casa em depósito de armas ou rota de fuga”.
Facções expulsam famílias de casas e deixam distrito deserto no interior do CearáEm um ano e nove meses, estado registrou mais de 200 casos de expulsão de moradores por grupos criminososCidades2025-11-10T23:44:23.774ZDesde agosto, 42 pessoas foram presas no Ceará, suspeitas de expulsar moradores de suas casas. De acordo com a Polícia Civil, o objetivo dos criminosos é usar os imóveis como esconderijos para facções. No pequeno distrito da zona rural de Morada Nova, no interior do estado, o cenário é de cidade fantasma. Cerca de 300 famílias foram obrigadas a abandonar suas casas após ameaças de grupos criminosos. Em Pacatuba, na região metropolitana de Fortaleza, a situação se repetiu. Criminosos expulsaram famílias de pelo menos 30 residências, em setembro. Um relatório da Polícia Civil do Ceará aponta que o estado registrou 219 ocorrências de expulsões de moradores por facções criminosas entre janeiro de 2024 e setembro de 2025 — um período de um ano e nove meses. Somente em Fortaleza, foram 143 casos em 52 bairros. Muitas das comunidades atingidas já enfrentam vulnerabilidade social, marcada por pobreza, falta de serviços básicos e exclusão. Segundo o relatório, “essa situação tem impacto direto sobre a juventude, que acaba sendo recrutada para atividades ilícitas, seja por coação, seja pela ausência de oportunidades”. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Ceará, 42 suspeitos foram presos desde agosto, acusados de participação nesses deslocamentos forçados. O delegado Jaime de Paula Pessoa afirma que apenas a presença policial não é suficiente para conter o problema. “Fazer a prisão ou a permanência da polícia em determinado local é enxugar gelo. Nós temos, na verdade, que fazer a ocupação do estado como um todo”, diz. “Uma ação social mais presente, com trabalho e emprego, com educação e várias outras iniciativas do estado depois da faxina que a polícia venha a fazer”, completa o delegado. Mesmo dentro da capital, há conjuntos habitacionais dominados pelo crime organizado e com número cada vez menor de moradores, que vivem com medo da violência. O delegado explica que as expulsões estão ligadas à tentativa das facções de expandir o controle territorial. “É uma política do crime organizado em cima dessa expansão de território. Temos as expulsões quando o morador não atende às exigências impostas pela organização criminosa do local — como pagar pedágio ou transformar a casa em depósito de armas ou rota de fuga”.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/policia/faccoes-expulsam-familias-de-casas-e-deixam-distrito-deserto-no-interior-do-ceara
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