Cidades

Exclusivo: Venda ilegal de "chumbinho" ainda acontece mesmo com proibição da Anvisa

Investigação do Primeiro Impacto revela comércio clandestino de veneno utilizado como raticida no Brasil

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Fernanda Trigueiro, Cristian Mendes, André Paino
22/10/2024, 11:19 • Atualizado em 22/10/2024, 11:22
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Exclusivo: Venda ilegal de "chumbinho" ainda acontece mesmo com proibição da Anvisa

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O veneno conhecido como "chumbinho", proibido pela Anvisa desde 2012, continua sendo vendido de forma ilegal em diferentes regiões do Brasil. Usado originalmente em agrotóxicos, o produto é frequentemente desviado e comercializado como raticida, apesar de não ter registro no país.

Com uma câmera oculta, a equipe do Primeiro Impacto visitou lojas em São Paulo e na região metropolitana para investigar como o produto é vendido. No bairro de Sapopemba, Zona Leste de São Paulo, comerciantes admitiram que o chumbinho estava em falta devido à alta demanda, ressaltando que sua venda é proibida. Em uma loja de materiais de construção em Osasco, o veneno foi adquirido por R$ 20, entregue em um pequeno pote de vidro sem rótulo ou qualquer informação de segurança.

O chumbinho tem aparência de granulado cinza-escuro e não possui cheiro nem sabor, o que o torna difícil de identificar quando misturado a alimentos. Especialistas afirmam que, ao ser ingerido, o veneno é rapidamente absorvido pelo estômago e intestinos, espalhando-se pela corrente sanguínea em poucos minutos. Os primeiros sintomas aparecem em cerca de 30 minutos, incluindo enjoo, vômito, dores abdominais e dificuldades respiratórias.

Crimes de envenenamento pelo país

Casos de envenenamento com chumbinho têm sido registrados em diversas regiões do país. Em Alagoas, Joyce Alves Cirino, de 36 anos, morreu após consumir uma coxinha envenenada entregue por seu ex-marido. No Rio Grande do Sul, na cidade de Igrejinha, a polícia investiga a morte de duas crianças gêmeas, com suspeita de que a mãe tenha utilizado veneno para cometer o crime.

Em outra ocorrência, no Rio de Janeiro, o envenenamento de dois meninos, Benjamim Rodrigues Ribeiro, de 6 anos, e Ythallo Raphael Tobias Rosa, de 7 anos, foi confirmado após consumirem bombons envenenados entregues por uma mulher ainda não identificada. Ainda no estado, um milk-shake envenenado causou a morte de Vitória da Conceição Pereira, de 23 anos, sendo o ex-namorado o principal suspeito.

De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, entre 2022 e 2024, 25 pessoas morreram em decorrência de envenenamento por chumbinho, sendo 10 casos apenas em 2024. O envenenamento com chumbinho prevê pena de 1 a 3 anos de prisão, além de multa.

Atendimento médico deve ser o mais rápido possível

O médico toxicologista Álvaro Pulchinelli explica que, diante da suspeita de intoxicação, é essencial buscar atendimento médico especializado o mais rápido possível. “Para lidar com as intoxicações não existem remédios caseiros, não adianta beber água, tomar leite e nada disso. Tem que procurar auxílio especializado. Quanto mais precoce for o tratamento, menor a chance de sequela e menor o risco de morte”, alerta.

Casos como o de Abraão, envenenado aos 11 anos ao consumir uma marmita contaminada em 2020, mostram as graves consequências do uso indevido do chumbinho. Ele passou 15 dias em coma e, mesmo após sobreviver, ficou com sequelas permanentes.

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