Casos de mulheres que matam parceiros em contexto de violência doméstica crescem 20% em SP
Em contrapartida do aumento, registros ainda representam menos da metade dos casos de feminicídio no estado
Simone Queiroz
Um levantamento feito pelo SBT com base na Lei de Acesso à Informação mostra que os casos de mulheres que mataram companheiros ou ex-companheiros após sofrerem violência doméstica cresceram 20% no estado de São Paulo entre 2024 e 2025. O número passou de 100 para 120 ocorrências no período.
Apesar do aumento, os registros ainda representam menos da metade dos casos de feminicídio no estado. No mesmo período, foram contabilizados 270 assassinatos de mulheres por motivação de gênero, o maior índice desde 2018.
Especialistas apontam diferentes fatores para o aumento de casos envolvendo mulheres que mataram parceiros violentos. Entre eles estão o contexto social, o ciclo contínuo de violência e a falta de proteção efetiva do poder público.
Para Rafael Alcadipani, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da Fundação Getulio Vargas, a violência constante pode levar vítimas ao desespero.
“Isso vai extenuando a pessoa, ao mesmo tempo em que o Estado não dá o respaldo nem protege a mulher da forma que deveria. A consequência é que muitas acabam desesperadas e veem agir com as próprias mãos como uma forma de lidar com uma violência extrema”, explicou o especialista.
Atuação do poder público e ações educativas, são caminhos para diminuição
A prevenção passa pelo acesso à rede de proteção e pela atuação do poder público. Em São Paulo, a Casa da Mulher Brasileira reúne diferentes serviços de atendimento. Cerca de 2 mil mulheres procuram ajuda no local todos os meses.
Para a promotora Juliana Gentil, as vítimas devem procurar órgãos oficiais, como o Ministério Público, que pode solicitar medidas protetivas de urgência.
“A prevenção evita que essas violências aconteçam. E, a partir do momento em que elas começam, precisamos trabalhar a proteção das vítimas e a responsabilização dos agressores”, afirmou.
Juliana também defende que ações educativas e políticas públicas são essenciais para evitar que a violência evolua para casos extremos.
“A gente precisa mudar a forma de pensar da sociedade. É necessário ter, nas escolas, estudos voltados para igualdade de gênero e combate à misoginia. Também precisamos ampliar ações de educação em direitos para a população em geral”, completou.









