Cidades

Casos de mulheres que matam parceiros em contexto de violência doméstica crescem 20% em SP

Em contrapartida do aumento, registros ainda representam menos da metade dos casos de feminicídio no estado

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Simone Queiroz
06/05/2026, 01:06 • Atualizado em 06/05/2026, 01:06
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Um levantamento feito pelo SBT com base na Lei de Acesso à Informação mostra que os casos de mulheres que mataram companheiros ou ex-companheiros após sofrerem violência doméstica cresceram 20% no estado de São Paulo entre 2024 e 2025. O número passou de 100 para 120 ocorrências no período.

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Apesar do aumento, os registros ainda representam menos da metade dos casos de feminicídio no estado. No mesmo período, foram contabilizados 270 assassinatos de mulheres por motivação de gênero, o maior índice desde 2018.

Especialistas apontam diferentes fatores para o aumento de casos envolvendo mulheres que mataram parceiros violentos. Entre eles estão o contexto social, o ciclo contínuo de violência e a falta de proteção efetiva do poder público.

Para Rafael Alcadipani, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da Fundação Getulio Vargas, a violência constante pode levar vítimas ao desespero.

“Isso vai extenuando a pessoa, ao mesmo tempo em que o Estado não dá o respaldo nem protege a mulher da forma que deveria. A consequência é que muitas acabam desesperadas e veem agir com as próprias mãos como uma forma de lidar com uma violência extrema”, explicou o especialista.

Atuação do poder público e ações educativas, são caminhos para diminuição

A prevenção passa pelo acesso à rede de proteção e pela atuação do poder público. Em São Paulo, a Casa da Mulher Brasileira reúne diferentes serviços de atendimento. Cerca de 2 mil mulheres procuram ajuda no local todos os meses.

Para a promotora Juliana Gentil, as vítimas devem procurar órgãos oficiais, como o Ministério Público, que pode solicitar medidas protetivas de urgência.

“A prevenção evita que essas violências aconteçam. E, a partir do momento em que elas começam, precisamos trabalhar a proteção das vítimas e a responsabilização dos agressores”, afirmou.

Juliana também defende que ações educativas e políticas públicas são essenciais para evitar que a violência evolua para casos extremos.

“A gente precisa mudar a forma de pensar da sociedade. É necessário ter, nas escolas, estudos voltados para igualdade de gênero e combate à misoginia. Também precisamos ampliar ações de educação em direitos para a população em geral”, completou.

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