Áudio inédito revela estratégia para usar denúncia de camarotes na queda de Júlio Casares no São Paulo
Gravação obtida com exclusividade pelo SBT mostra discussão sobre vazamento de áudio e impacto político do caso Morumbis


Marcos Guedes
Vinícius Rangel
O SBT Brasil teve acesso, com exclusividade, a novos áudios que mostram como a denúncia sobre a venda irregular de camarotes no Estádio do Morumbis teria sido articulada e politicamente explorada por opositores do então presidente do São Paulo Futebol Clube, Júlio Casares. As gravações teriam contribuído para o afastamento do dirigente.
A investigação teve início após a divulgação de um vídeo que mostra Carolina Cassemiro correndo pelo estádio com ingressos que afirma ter comprado. Ela diz ter sido vítima de venda clandestina de camarotes. Ao cobrar pessoalmente Adriana Prado, apontada como responsável pela negociação, Carolina teria recolhido os ingressos e deixado o local. Adriana registrou ocorrência por roubo.
O episódio virou caso de polícia e abriu caminho para a apuração que resultou no afastamento de Júlio Casares. A defesa do ex-presidente sustenta que provas teriam sido divulgadas de forma premeditada.
Em áudio obtido com exclusividade pelo SBT, interlocutores discutem como divulgar uma conversa gravada sobre a suposta venda irregular. As gravações indicam que Fábio Mariz, conselheiro e integrante da oposição à gestão Casares, teria participado de reuniões com Adriana Prado para tratar da estratégia de vazamento.
Em um dos trechos, é sugerido simular furto ou hackeamento do celular para justificar a divulgação do conteúdo. Em outro momento, os participantes mencionam a entrega do material à polícia e o potencial uso do caso para abrir novas frentes investigativas, inclusive com referência ao COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Gravação ilegal e uso político
Um dos pontos mais sensíveis do áudio é a admissão de que a gravação seria ilegal, embora defendida como instrumento para estimular outras investigações. Há ainda menção a seleção do que seria repassado à imprensa, com avaliação prévia dos trechos considerados “interessantes”.
Outro lado
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, as apurações sobre as denúncias prosseguem sob segredo de Justiça. A Corregedoria da Polícia Civil informou que não compactua com excessos ou desvios de conduta e que pune rigorosamente casos comprovados.
A defesa de Carolina Cassemiro afirmou que ela não tinha conhecimento de eventual exploração irregular do camarote por pessoas ligadas à gestão do clube. Os representantes do São Paulo Futebol Clube declarou ser vítima. As defesas dos demais citados não se manifestaram até a publicação.









