Cidades

Apreensões de drogas crescem mais de 50% em cinco meses em SP

Entre janeiro e maio, polícia intensifica operações e especialistas alertam para necessidade de combater a lavagem de dinheiro

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Flavia Travassos
06/07/2025, 00:22 • Atualizado em 16/07/2025, 11:32
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As apreensões de drogas cresceram, nos últimos cinco meses, em mais de cinquenta por cento em São Paulo. Para especialistas, é preciso ir além e combater a lavagem de dinheiro.

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Em um terreno baldio em Atibaia, interior de São Paulo, policiais encontraram um poço lotado de drogas. O esforço para combater o tráfico de entorpecentes resultou no aumento do número de apreensões no estado.

Entre janeiro e maio deste ano, as forças de segurança apreenderam 103 toneladas de drogas. O crescimento foi de mais de cinquenta por cento (53%) em relação ao mesmo período do ano passado. Em maio, o volume de entorpecentes recolhidos alcançou quase 37 toneladas (36,9 ton.). A quantidade é 147% maior que a apreendida no mesmo mês de 2024.

A maioria das drogas apreendidas é maconha. Foram quase 76 toneladas (75,8 ton) nos cinco primeiros meses do ano. A maioria das apreensões ocorreu no interior de São Paulo (70,5 toneladas), enquanto na capital paulista foram retiradas de circulação quase dezoito (17,8) toneladas.

“O crime organizado, os partidos que a gente tem, que a gente sabe que são mais estruturados, inclusive com ramificações do exterior, ele não atua sozinho. Tem muita gente, muito freelancer que a gente chama, que é a pessoa que tem uma determinada conexão para distribuir a droga seja dentro do estado ou até para mandar para o exterior. Essa pessoa consegue trazer de fora para fazer esse tráfico”, explicou Carlos Castiglioni, delegado do Denarc.

O total de drogas apreendido neste ano representa, segundo a polícia, um prejuízo de quase quinhentos milhões de reais para as organizações criminosas. Mas, segundo especialistas, enquanto houver uma demanda significativa, trabalhar apenas para sufocar esse mercado é como “enxugar gelo”.

“É uma tentativa frustrada, tentar interromper as cadeias, ou seja, a destruição da droga acaba sendo um esforço inócuo, em que o mais importante seria desestruturar, desmantelar essas redes a partir do ataque às suas bases econômicas, suas estratégias de lavagem de dinheiro, os crimes financeiros praticados por essas organizações, além também da repressão ao tráfico de armas”, afirmou Carolina Grillo, coordenadora do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF.

No Rio de Janeiro, também cresceu o cerco contra o tráfico de drogas.

Entre janeiro e maio deste ano, a polícia registrou quase dez mil e quinhentos casos (10.459) de apreensões de drogas no estado, de acordo com o Instituto de Segurança Pública. O aumento foi de cinco por cento em relação ao mesmo período do ano passado (9.965 ocorrências em 2024). Mas a polícia admite que o desafio ainda é grande.

“Drogas como crack, as drogas K que estão penetrando nas classes baixas, é muito difícil a gente combater porque são vários micropontos que fazem a distribuição. Em contrapartida, drogas como cocaína, a maconha que é a droga mais popular que tem, outras drogas que estão se popularizando, o ais, o haxixe, são drogas mais elitistas, são drogas caras. Então a gente tem que estar todo dia buscando uma atualização para tentar combater esse tipo de crime”, disse o delegado do Denarc.
“É um mercado que a demanda não reduziu, ou seja, apreender drogas, prender traficantes não consegue diminuir o consumo de drogas no mundo. Essa é uma constatação internacional, não é apenas para o caso brasileiro, porque há no mercado uma demanda de consumo estável e o mercado vai contornar todos os obstáculos que existirem para chegar a esse mercado consumidor”, completou Carolina Grillo.

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