Política

“Ninguém quer ficar como traidor de Bolsonaro”, diz analista sobre governadores presidenciáveis

Presidente reúne gestores estaduais em ato na Avenida Paulista, neste domingo (6)

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Lara Curcino, Jésus Mosquéra
06/04/2025, 18:20 • Atualizado em 06/04/2025, 18:20
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A analista política Isabela Kalil, coordenadora do Observatório da Extrema Direita, analisa o impacto político das manifestações do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em prol do projeto de lei que prevê a anistia dos condenados pelo 8 de janeiro. Ele realizou um ato na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), neste domingo (6), duas semanas após um evento similar no Rio de Janeiro (RJ).

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Isabela comentou sobre os governadores que começam a se lançar como presidenciáveis, como o do Paraná, Ratinho Júnior (PSD); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); de Goiás, Ronaldo Caiado (União); e de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo ela, há uma “relação ambígua” entre eles, por terem o mesmo objetivo do ex-presidente - que, apesar de se colocar como candidato para 2026, está inelegível -, mas também terem o receio de desassociar suas imagens da de Bolsonaro.

“É uma relação ambígua. São ‘adversários políticos’, estão rivalizando e têm disputas internas, no entanto ninguém quer pagar o preço de ficar como traidor do bolsonarismo. É como se eles pensassem: nós não queremos Bolsonaro, mas queremos o eleitor dele”, avaliou ela.

Ato na Paulista

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e parte de seus apoiadores promovem, na tarde deste domingo (6), uma manifestação pela anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. O ato começou às 14h e acontece na Avenida Paulista, em São Paulo. Um grupo de sete governadores confirmou a presença.

Pela manhã, esse grupo esteve em um encontro com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e com o presidente Bolsonaro. + PL decide seguir com estratégia de obstrução na Câmara para pressionar projeto da anistia

O ato também está sendo organizado pelo pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. A ideia do movimento é pressionar os deputados federais e senadores a aprovarem um projeto de lei que prevê anistiar todos os condenados pelo ataque aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

Entre analistas políticos, há a avaliação de que o ato servirá para demonstrar o tamanho do apoio pessoal da população ao ex-presidente. No mês passado, Bolsonaro se tornou réu pelos crimes de: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Ele nega os delitos.

Réu no STF

Em meio à pressão pelo PL da anistia, Bolsonaro e outras sete pessoas se tornaram réus no Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito que investiga um suposto planejamento de golpe de Estado para impedir que Lula (PT) assumisse a Presidência em 2023. O processo leva em conta o 8 de janeiro como uma das provas materiais do plano golpista. Os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Cármen Lúcia consideraram que a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) tem fundamentos válidos para justificar uma ação penal.

Dessa forma, Bolsonaro e seus aliados serão julgados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, e deterioração de patrimônio tombado.

Além de Bolsonaro, tornaram-se réus os seguintes envolvidos: o deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem; o ex-comandante da Marinha Almir Garnier; o ex-ministro da Justiça Anderson Torres; o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno; o ex-ajudante de ordens Mauro Cid; o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira; e o ex-ministro da Casa Civil e da Defesa Walter Braga Netto.

Agora, o processo entra na fase de instrução processual, quando são colhidas mais provas e depoimentos de testemunhas e acusados. A expectativa é que o julgamento seja finalizado ainda sob a presidência de Luís Roberto Barroso à frente da Corte, no primeiro semestre.

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