Política

Fim da escala 6x1: comissão aprova 50 requerimentos e quer votação em plenário até 28 de maio

Colegiado ouvirá ministros, empresários e sindicatos e fará audiências em diferentes estados; 1ª viagem à Paraíba atende pedido de Hugo Motta

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Caio Barcellos
05/05/2026, 19:24 • Atualizado em 06/05/2026, 12:44
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A comissão especial da Câmara que analisa o fim da escala de trabalho 6x1 iniciou a análise da medida nesta terça-feira (5). Durante a sessão, foi aprovado um pacote de 50 requerimentos para estruturar os debates sobre a proposta.

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Entre os pedidos, estão convites a autoridades de Estado, empresários e representantes de trabalhadores, além da realização de audiências públicas em diferentes regiões do país.

O colegiado deve ouvir o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, na 1ª audiência pública, em 6 de maio, além do ministro da Fazenda, Dario Durigan, em 12 de maio, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, em 13 de maio.

Além deles, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, deverá comparecer para "prestar esclarecimentos à Comissão Especial sobre inflação, endividamento das famílias e os impactos macroeconômicos".

Destaque também para o convite ao empresário Caito Maia, fundador da Chilli Beans, que apoia a proposta e já implementou a redução de jornada em suas lojas.

Outros requerimentos incluem audiências com representantes do setor produtivo -como Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE)-, entidades e sindicatos de trabalhadores, acadêmicos e organismos internacionais.

Fora de Brasília, estão previstos encontros em estados como Paraíba, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com participação de centrais sindicais, representantes do setor produtivo e especialistas.

A primeira agenda fora da capital ocorre na quinta-feira (7), em João Pessoa (PB). A escolha foi um pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que estará presente na sessão.

O relator, Léo Prates (Republicanos-BA), afirmou que o texto ainda está em construção e será resultado de negociações com diferentes setores.

A proposta em análise é a PEC 221 de 2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que altera a Constituição para reduzir a jornada de trabalho no país.

A PEC 8 de 2024, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), também integra a discussão. Por ter sido apresentada posteriormente, foi apensada ao texto de Lopes e passou a tramitar em conjunto no mesmo processo legislativo.

Cronograma e busca de consenso

O plano de trabalho apresentado por Prates estabelece um calendário concentrado ao longo de maio, com previsão de apresentação do relatório final no dia 20 e votação até 26 de maio. No plenário, a votação deve ocorrer até o dia 28 de maio.

"A ideia é votar nesta comissão no dia 26 de maio. No dia 27 de maio é compromisso do presidente Hugo Motta colocar para votação no plenário", afirmou o relator.

O cronograma inclui ao menos 5 audiências públicas temáticas, com foco em uso do tempo no trabalho, impactos econômicos da redução da jornada, efeitos sociais e diálogo com trabalhadores, visão dos empregadores e perspectiva das centrais sindicais.

De acordo com o plano apresentado, o objetivo central é construir uma proposta que elimine a escala 6x1 com redução gradual da jornada de 44 para 36 horas semanais em 10 anos sem corte de salários.

O texto destaca que a comissão pretende equilibrar direitos trabalhistas e competitividade das empresas, considerando os impactos sobre emprego, produtividade e contas públicas

Entre os temas que devem orientar o debate estão automação, negociação coletiva, experiências internacionais e efeitos fiscais da mudança.

Pressão

Os trabalhos da comissão começaram oficialmente nesta tarde, após reunião prévia com centrais sindicais, como Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical e Confederação Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde (Conacs).

O presidente da comissão, Alencar Santana (PT-SP), afirmou que as entidades pediram celeridade na tramitação.

Do outro lado, entidades patronais destacam os riscos do fim da 6x1. De acordo com cálculos da CNI, a redução da jornada trabalho pode aumentar os custos com trabalhadores formais entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano

Já a Abrasce destaca que o faturamento dos shopping pode cair até R$ 32,2 bilhões em um ano, com perda de 130 mil empregos.

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