Comissão da Câmara adia votação de PL que classifica facções criminosas como terroristas
Líder do governo, José Guimarães, critica tentativa de votar proposta “à queima-roupa” e defende criação de comissão especial para debater o tema
Jessica Cardoso, Hariane Bittencourt
Sessão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados | Vinicius Loures/ Câmara dos Deputados
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou nesta terça-feira (4) a votação do projeto de lei (PL) 1283/2025, que classifica facções criminosas como organizações terroristas.
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A análise foi remarcada para quarta-feira (5), às 10h. Defendida pela oposição, a proposta é de autoria do deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) e terá relatoria do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) na comissão.
A sessão da CCJ coincidiu com o início da Ordem do Dia do plenário, às 14h30, o que levou ao cancelamento da reunião. A decisão de começar a sessão cedo foi tomada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Nos bastidores, parlamentares da base do governo afirmam que o adiamento teve influência política, já que o Palácio do Planalto é contrário ao texto defendido pela oposição e tenta evitar a votação neste momento.
A avaliação é de que o governo prefere priorizar seus próprios projetos sobre segurança pública, como a PEC da Segurança e o PL Antifacção, que já estão no Congresso.
Deputados da oposição, porém, minimizaram o adiamento e disseram não acreditar em manobra. Segundo eles, a proposta deve ser aprovada sem dificuldades na CCJ quando for retomada.
Apesar Nikolas Ferreira ser apontado como relator, quando o projeto chegar ao plenário da Câmara a relatoria passará ao deputado licenciado Guilherme Derrite (PP), que deixará temporariamente o cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo para assumir a função.
Em entrevista a jornalistas, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), criticou a tentativa de votação do projeto sem amplo debate. O parlamentar defendeu a criação de uma comissão especial para discutir, em conjunto, todas as propostas que tratam de segurança pública.
“Vocês acham razoável que um projeto desta magnitude seja encaminhado semana passada e votado a queima-roupa na CCJ hoje? Isso não pode. Falta responsabilidade dos agentes públicos aqui dentro no debate do tema”, afirmou.
Guimarães criticou ainda a escolha de Derrite como relator no plenário. “Tirar um deputado que é licenciado, que volta para cá só para relatar essa matéria, é esquisito, né? É muito ruim”, afirmou.
Ao ser questionado sobre um possível pedido do governo para que a sessão não ocorresse nesta terça-feira (4), o deputado evitou responder de forma direta, mas sinalizou que a base continuará tentando adiar a análise.
“Vai acontecer a mesma coisa que hoje [adiamento]. Não dá para votar uma matéria dessa no tempo que estão querendo votar hoje. Não pode um negócio desse. Não vamos deixar votar a matéria, ainda mais com o relator estranho à tramitação dessas matérias aqui na Casa. [...] não vai ter sessão da CCJ, vamos trabalhar para não ter”, declarou.
Comissão da Câmara adia votação de PL que classifica facções criminosas como terroristasLíder do governo, José Guimarães, critica tentativa de votar proposta “à queima-roupa” e defende criação de comissão especial para debater o temaPolítica2025-11-04T21:44:09.794ZA Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou nesta terça-feira (4) a votação do projeto de lei (PL) 1283/2025, que classifica facções criminosas como organizações terroristas. A análise foi remarcada para quarta-feira (5), às 10h. Defendida pela oposição, a proposta é de autoria do deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) e terá relatoria do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) na comissão. A sessão da CCJ coincidiu com o início da Ordem do Dia do plenário, às 14h30, o que levou ao cancelamento da reunião. A decisão de começar a sessão cedo foi tomada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Nos bastidores, parlamentares da base do governo afirmam que o adiamento teve influência política, já que o Palácio do Planalto é contrário ao texto defendido pela oposição e tenta evitar a votação neste momento. A avaliação é de que o governo prefere priorizar seus próprios projetos sobre segurança pública, como a e o , que já estão no Congresso. Deputados da oposição, porém, minimizaram o adiamento e disseram não acreditar em manobra. Segundo eles, a proposta deve ser aprovada sem dificuldades na CCJ quando for retomada. Relatoria e proposta de comissão especial Apesar Nikolas Ferreira ser apontado como relator, quando o projeto chegar ao plenário da Câmara a relatoria passará ao deputado licenciado Guilherme Derrite (PP), que deixará temporariamente o cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo para assumir a função. Em entrevista a jornalistas, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), criticou a tentativa de votação do projeto sem amplo debate. O parlamentar defendeu a criação de uma comissão especial para discutir, em conjunto, todas as propostas que tratam de segurança pública. “Vocês acham razoável que um projeto desta magnitude seja encaminhado semana passada e votado a queima-roupa na CCJ hoje? Isso não pode. Falta responsabilidade dos agentes públicos aqui dentro no debate do tema”, afirmou. Guimarães criticou ainda a escolha de Derrite como relator no plenário. “Tirar um deputado que é licenciado, que volta para cá só para relatar essa matéria, é esquisito, né? É muito ruim”, afirmou. Ao ser questionado sobre um possível pedido do governo para que a sessão não ocorresse nesta terça-feira (4), o deputado evitou responder de forma direta, mas sinalizou que a base continuará tentando adiar a análise. “Vai acontecer a mesma coisa que hoje [adiamento]. Não dá para votar uma matéria dessa no tempo que estão querendo votar hoje. Não pode um negócio desse. Não vamos deixar votar a matéria, ainda mais com o relator estranho à tramitação dessas matérias aqui na Casa. [...] não vai ter sessão da CCJ, vamos trabalhar para não ter”, declarou. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/comissao-da-camara-adia-votacao-de-pl-sobre-narcoterrorismo