Política

"A crise climática é uma crise de desigualdade", diz Janja no Global Citizen Amazônia

Primeira-dama discursou no festival de música que acontece neste sábado (01), em Belém, no Pará

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Karyn Souza
02/11/2025, 01:46 • Atualizado em 02/11/2025, 01:46
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Primeira-dama Janja da Silva discursou no festival de música que acontece neste sábado (01), em Belém, no Pará | Fernando Frazão/Agência Brasil

Primeira-dama Janja da Silva discursou no festival de música que acontece neste sábado (01), em Belém, no Pará | Fernando Frazão/Agência Brasil

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A primeira-dama Janja Lula da Silva discursou na abertura do 'Global Citizen: Amazônia', festival musical que acontece, sábado (01), em Belém, no Pará. Janja defendeu que o Brasil fará da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas a "COP da Virada" e enfatizou o trabalho do governo federal no enfrentamento ao desmatamento da Amazônia.

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"Trabalhando pelo fim da devastação, o governo do presidente Lula obteve 50% de redução do desmatamento do bioma da Amazônia na comparação com 2022. É o terceiro ano consecutivo de declínio e a terceira menos taxa da série histórica, medida desde 1988", destacou Janja.

A primeira-dama também relacionou a desigualdade social à crise climática, argumentando que a parcela mais rica da população contribui mais para a devastação do meio ambiente do que os mais pobres.

"A crise climática é uma crise de desigualdade. Uma desigualdade que existe dentro dos países e entre eles. No Brasil, o 1% mais rico tem uma pegada de carbono sete vezes maior que os 10% mais pobres. Os 10% mais ricos emitem mais gases de efeito estufa do que os 35% mais pobres somados", apontou.

No discurso, Janja da Silva ainda exaltou os biomas brasileiros e povos originários da Amazônia e ressaltou o compromisso do governo Lula em transformar exclusão em cidadania, para que "proteger o meio ambiente e cuidar das pessoas não sejam metas excludentes".

"Vamos trabalhar por uma transição justa, que respeite o direito de se desenvolver de forma equilibrada e priorize quem mais precisa", concluiu a primeira-dama.

Festival de música em Belém

O 'Global Citizen: Amazônia' acontece neste sábado (01) no Estádio Olímpico do Pará, conhecido como Mangueirão, a partir das 17 horas. O festival contará com shows de Gilberto Gil, Anitta, Gaby Amarantos, Seu Jorge, Charlie Puth, Eric Terena, Kaê Guajajara e Djuena Tikuna, além dos convidados especiais Daniela Mercury e Chris Martin, do Coldplay.

Os ingressos são gratuitos e foram disponibilizados exclusivamente para moradores do estado do Pará, a partir do aplicativo do festival. O 'Global Citizen: Amazônia' marca o encerramento da campanha "Proteja a Amazônia" que, segundo os organizadores, já arrecadou mais de US$ 345 milhões em compromissos financeiros voltados à preservação ambiental.

Confira o discurso na íntegra:

"É uma honra estar em Belém e receber o festival “Global Citizen” no coração da Amazônia.

Há dois anos, em Paris, o presidente Lula disse que faríamos a maior COP de todos os tempos. Em Nova York, em 2023, aportamos nosso navio amazônico no Central Park e, hoje, aqui estamos, em companhia dessa extraordinária concentração de pessoas, sobretudo jovens, que acreditam que outro mundo é possível e necessário.

Um mundo em paz, mais solidário e menos desigual, livre da pobreza, da fome e da crise climática. Um mundo com maior participação das mulheres e com igualdade de gênero.

O entusiasmo e o engajamento de vocês são contagiantes. Vocês são portadores da força e da utopia dos que almejam um mundo melhor.

Em poucos dias, Belém será a capital do mundo. Nada no planeta se compara à grandeza da Amazônia. São quase sete milhões de quilômetros quadrados, distribuídos por nove países. São quarenta mil espécies de plantas e mais de mil e setecentos rios.

Dizem que a Amazônia é o pulmão do planeta. Mas eu prefiro dizer que ela é o coração. Um coração que pulsa no peito dos seus quase cinquenta milhões de habitantes. Que carrega a cultura de 400 povos indígenas, falantes de mais de 300 idiomas.

Quando chegarem a Belém para participar da COP, os líderes mundiais vão conhecer a realidade da Amazônia. Vão entender que a divisão entre humanidade e natureza não faz sentido. Debaixo de cada árvore, há uma mulher, um homem, uma criança.

Mudar nossa relação com o planeta é uma tarefa urgente. O Brasil que desejamos é um país onde a devastação ceda lugar ao desenvolvimento sustentável.

E, trabalhando pelo fim da devastação, o governo do presidente Lula obteve 50% de redução do desmatamento do bioma da Amazônia na comparação com 2022. É o terceiro ano consecutivo de declínio e a terceira menos taxa da série histórica, medida desde 1988.

O Brasil que desejamos é um país onde a exclusão se transforme em cidadania. Onde proteger o meio ambiente e cuidar das pessoas não sejam metas excludentes.

O Brasil que desejamos é um Brasil que protege a Amazônia, o Pampa, a Caatinga, a Mata Atlântica, o Pantanal e o Cerrado.

A crise climática é uma crise de desigualdade. Uma desigualdade que existe dentro dos países e entre eles. No Brasil, o 1% mais rico tem uma pegada de carbono sete vezes maior que os 10% mais pobres. Os 10% mais ricos emitem mais gases de efeito estufa do que os 35% mais pobres somados.

O Brasil é um país abençoado com um povo maravilhoso e uma natureza espetacular. Eu me sinto muito feliz por ter nascido num país que tem a Amazônia como parte de seu patrimônio.

Ninguém melhor do que o Brasil para fazer desta COP a COP da virada. Como dizemos no futebol, já que estamos no país do futebol, o mundo ainda tem tempo para virar o jogo.

Faremos o que estiver ao nosso alcance para avançar em compromissos que façam a diferença. Vamos trabalhar por uma transição justa, que respeite o direito de se desenvolver de forma equilibrada e priorize quem mais precisa.

Devemos a vocês, jovens de hoje, a nossos filhos e netos a garantia de viver em uma Terra onde possam realizar os seus sonhos. Salvar o planeta é uma tarefa de todas as gerações, para todas as gerações.

Muito obrigado."

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