PF prende 4 em operação contra divulgação de fake news em eleições municipais no RJ
Investigação aponta que criminosos influenciaram pelo menos três pleitos, desde o de 2016; pessoas recebiam R$ 2 mil por mês para espalhar notícias falsas
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Felipe Moraes
12/09/2024, 12:26 • Atualizado em 13/09/2024, 00:33
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PF nas ruas em operação contra esquema de divulgação de fake news no RJ para influenciar eleições municipais | Divulgação/PF
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Quatro pessoas foram presas pela Polícia Federal (PF) na operação Teatro Invisível, nesta quinta-feira (12), em ação contra esquema criminoso de divulgação de fake news (notícias falsas) em eleições municipais no Rio de Janeiro. Suspeitos atuavam pelo menos desde 2016 e influenciaram três pleitos para prefeito em mais de 10 municípios do estado.
Além dos mandados de prisão preventiva, agentes também cumpriram 15 ordens de busca e apreensão, expedidas pelo Juízo da 8ª Zona Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro. Também houve bloqueio judicial de R$ 1 milhão de cada investigado. Os presos serão encaminhados à Superintendência da PF no estado.
No fim da manhã, a PF divulgou balanço final de apreensões na força-tarefa: R$ 188.300 em espécie, três veículos de luxo blindados, celulares, dispositivos eletrônicos, mídias de armazenamento e documentos.
Pagamento de R$ 2 mil para espalhar notícias falsas
A PF descobriu que líderes da organização criminosa já ocuparam funções públicas em diversas cidades do RJ. Assim, conseguiram montar esquema "sofisticado e lucrativo baseado na contratação de pessoas com objetivo de influenciar no processo eleitoral de diversos municípios".
Blindado da Polícia Federal foi utilizado na operação Teatro Invisível, contra fake news eleitorais | PF/Divulgação
Segundo a corporação, pessoas contratadas recebiam R$ 2 mil por mês para espalhar notícias falsas nas cidades sobre um determinado candidato à prefeitura.
Esses divulgadorescirculavam em locais com aglomeração de gente, como pontos de ônibus, padarias, filas de banco, bares e mercados, para disseminar fakes "sobre um determinado postulante ao cargo de prefeito, no intuito de beneficiar o candidato para o qual o serviço criminoso fora contratado".
Coordenadores da divulgação de mentiras recebiam R$ 5 mil mensalmente dos líderes do esquema, além de serem contratados pela própria prefeitura da cidade em questão.
"No ano eleitoral, quando o esquema entrava em vigor, os coordenadores eram exonerados de seus cargos e substituídos por 'laranjas' — possíveis funcionários fantasmas —, a fim de manter o 'direito' sobre eles", detalhou a PF, em nota.
A propaganda de notícias falsas também passava por um "processo de aferição de resultado", conforme a PF. "Através da elaboração de relatórios diários das atividades, com a especificação da quantidade de eleitores abordados por dia, número de votantes em cada candidato e o total de eleitores convertidospara o candidato beneficiário do esquema criminoso", explicou a polícia.
A maior parte dos membros residia e atuava em São João de Meriti (RJ), na Baixada Fluminense, mas a PF comprovou que esquema também foi "exportado" para pelo menos outras dez cidades do RJ.
A investigação foi liderada pela Divisão de Repressão a Crimes Eleitorais (DRCE) e Delegacia de Direitos Humanos e Defesa Institucional (DELINST) da PF no Rio de Janeiro, com apoio do Ministério Público Eleitoral.
Crimes investigados
+ Organização criminosa;
+ Desvio de funcionários públicos para atuação no grupo criminoso;
+ Utilização de "laranjas" para burlar incompatibilidades com exercício da função pública;
+ Lavagem de dinheiro;
+Constrangimento ilegal de servidores (assédio eleitoral);
+ E tipos penais ligados à divulgação de fake news e/ou desinformação, previstos no Código Eleitoral.
PF prende 4 em operação contra divulgação de fake news em eleições municipais no RJInvestigação aponta que criminosos influenciaram pelo menos três pleitos, desde o de 2016; pessoas recebiam R$ 2 mil por mês para espalhar notícias falsas Cidades2024-09-12T12:26:19.244ZQuatro pessoas foram presas pela Polícia Federal (PF) na operação Teatro Invisível, nesta quinta-feira (12), em ação contra esquema criminoso de divulgação de fake news (notícias falsas) em eleições municipais no Rio de Janeiro. Suspeitos atuavam pelo menos desde 2016 e influenciaram três pleitos para prefeito em mais de 10 municípios do estado. Além dos mandados de prisão preventiva, agentes também cumpriram 15 ordens de busca e apreensão, expedidas pelo Juízo da 8ª Zona Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro. Também houve bloqueio judicial de R$ 1 milhão de cada investigado. Os presos serão encaminhados à Superintendência da PF no estado. No fim da manhã, a PF divulgou balanço final de apreensões na força-tarefa: R$ 188.300 em espécie, três veículos de luxo blindados, celulares, dispositivos eletrônicos, mídias de armazenamento e documentos. Pagamento de R$ 2 mil para espalhar notícias falsas A PF descobriu que líderes da organização criminosa já ocuparam funções públicas em diversas cidades do RJ. Assim, conseguiram montar esquema "sofisticado e lucrativo baseado na contratação de pessoas com objetivo de influenciar no processo eleitoral de diversos municípios". Segundo a corporação, pessoas contratadas recebiam R$ 2 mil por mês para espalhar notícias falsas nas cidades sobre um determinado candidato à prefeitura. Esses divulgadores circulavam em locais com aglomeração de gente, como pontos de ônibus, padarias, filas de banco, bares e mercados, para disseminar fakes "sobre um determinado postulante ao cargo de prefeito, no intuito de beneficiar o candidato para o qual o serviço criminoso fora contratado". Coordenadores da divulgação de mentiras recebiam R$ 5 mil mensalmente dos líderes do esquema, além de serem contratados pela própria prefeitura da cidade em questão. "No ano eleitoral, quando o esquema entrava em vigor, os coordenadores eram exonerados de seus cargos e substituídos por 'laranjas' — possíveis funcionários fantasmas —, a fim de manter o 'direito' sobre eles", detalhou a PF, em nota. A propaganda de notícias falsas também passava por um "processo de aferição de resultado", conforme a PF. "Através da elaboração de relatórios diários das atividades, com a especificação da quantidade de eleitores abordados por dia, número de votantes em cada candidato e o total de eleitores convertidos para o candidato beneficiário do esquema criminoso", explicou a polícia. A maior parte dos membros residia e atuava em São João de Meriti (RJ), na Baixada Fluminense, mas a PF comprovou que esquema também foi "exportado" para pelo menos outras dez cidades do RJ. A investigação foi liderada pela Divisão de Repressão a Crimes Eleitorais (DRCE) e Delegacia de Direitos Humanos e Defesa Institucional (DELINST) da PF no Rio de Janeiro, com apoio do Ministério Público Eleitoral. Crimes investigados + Organização criminosa; + Desvio de funcionários públicos para atuação no grupo criminoso; + Utilização de "laranjas" para burlar incompatibilidades com exercício da função pública; + Lavagem de dinheiro; + Constrangimento ilegal de servidores (assédio eleitoral); + E tipos penais ligados à divulgação de fake news e/ou desinformação, previstos no Código Eleitoral.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/policia/pf-prende-4-em-operacao-contra-esquema-de-divulgacao-de-fake-news-em-eleicoes-municipais-no-rj