Caso Gisele: antes de ser morta, PM confrontou marido sobre denúncias de assédio
Mensagens de celular apontam que esposa queria divórcio e suspeitava de traição do tenente-coronel, réu por feminicídio


Fabio Diamante
Robinson Cerantula
Majô Gondim
Mensagens extraídas dos celulares da soldado Gisele Alves Santana e do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto revelam que ela já sabia de denúncias de assédio contra o marido e suspeitava de traição antes de ser morta. O oficial da Polícia Militar está preso há nove dias e responde por feminicídio.
As conversas obtidas pela Polícia Civil indicam que Gisele confrontou o marido sobre denúncias feitas contra ele dentro da corporação. Em uma das mensagens, ela questiona: “Não estava falando de fofocas, perguntei sobre denúncias, você é meu marido, tenho o direito de saber.”
O tenente-coronel nega as acusações e afirma que eventuais denúncias seriam sigilosas.
A perícia identificou que o oficial apagou mensagens do celular da vítima que indicariam a intenção de Gisele de se divorciar. Os conteúdos foram recuperados e passaram a integrar as provas da investigação.
Horas antes de morrer, a policial escreveu: “Tenho a minha dignidade. Pode entrar com o pedido essa semana.”
As mensagens também mostram que Gisele desconfiava de um relacionamento do marido com outra policial militar. Ela menciona movimentações frequentes dele em uma unidade onde a suposta envolvida trabalhava.
Relação era marcada por conflitos e ciúmes
Segundo a investigação, o relacionamento era conturbado. O tenente-coronel demonstrava comportamento controlador, chegando a impor regras sobre roupas e comportamento da esposa dentro da corporação.
Em uma das mensagens, ele escreveu: “Não usar roupas, fardas coladas.”
Durante interrogatório, já preso, o oficial mencionou a vida sexual como um dos fatores de crise no casamento. As mensagens de Gisele, no entanto, indicam insatisfação com a frequência das relações: “Com você, pra mim, está sendo sexo uma vez por mês… 19 segundos.”
Procurada, a defesa de Geraldo Leite Rosa Neto não se pronunciou.
A Polícia Militar de São Paulo informou que, após a conclusão das investigações, o comando-geral vai avaliar a abertura de um procedimento administrativo que pode resultar no desligamento do oficial da corporação.









