Venezuela vive crise na OEA há anos; entenda impasse em meio à reunião desta terça (6)
Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos analisa acontecimentos recentes no país após captura de Maduro pelos EUA


Anita Prado
A Organização dos Estados Americanos (OEA) realiza nesta terça-feira (6) uma reunião extraordinária para discutir os acontecimentos recentes na Venezuela, país que mantém uma relação de crise com a organização há pelo menos sete anos. O encontro está marcado para as 12h, no horário de Brasília, na sede da entidade, em Washington.
O Conselho Permanente é o principal órgão político da OEA. Ele reúne representantes fixos dos países-membros e funciona como o espaço institucional onde são debatidas crises na região, aprovadas resoluções e formuladas recomendações diplomáticas conjuntas. Apesar do peso político, o colegiado não tem poder de imposição militar, atuando no campo do diálogo e da coordenação entre os governos.
A crise da Venezuela com a OEA se aprofundou a partir de 2017, quando o governo de Nicolás Maduro anunciou a retirada do país da organização, em meio a questionamentos sobre a ruptura da ordem democrática. Em 2019, a situação se agravou: após a eleição presidencial de 2018 ser contestada por parte da comunidade internacional, a OEA deixou de reconhecer o mandato de Maduro.
Naquele ano, o então presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, foi reconhecido por diversos países como presidente interino da Venezuela. A OEA passou a aceitar uma representação indicada por Guaidó, enquanto o governo que controla o território venezuelano ficou sem reconhecimento dentro da organização.
Desde então, a Venezuela passou a ocupar um limbo institucional na OEA. Embora continue formalmente listada entre os Estados-membros, o país enfrenta impasses diplomáticos que dificultam sua participação plena nos debates e deliberações. Com o esvaziamento político da oposição venezuelana nos anos seguintes, a representação ligada a Guaidó deixou de ter atuação efetiva, sem que um novo representante fosse consensualmente reconhecido pela organização.
É nesse contexto que ocorre a reunião desta terça-feira. A expectativa é que o Brasil defenda uma posição baseada no multilateralismo, no diálogo entre os países e na América Latina como zona de paz, em linha com manifestações recentes do governo brasileiro sobre a crise regional.
O encontro deve retomar discussões sobre os limites de atuação da OEA diante de um país que, embora formalmente vinculado ao organismo, mantém uma relação marcada por impasses políticos e diplomáticos há anos.








