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UE vê rede de contrabando em crise de migração na Espanha

Ministro do interior espanhol diz que 70 mil dos 72 mil migrantes retornaram para seus países de origem, mas sem detalhar em quais condições

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Murillo Otavio
Jovens que cruzaram a fronteira com Ceuta voltam ao Marrocos | EFE/JALAL MORCHIDI

Jovens que cruzaram a fronteira com Ceuta voltam ao Marrocos | EFE/JALAL MORCHIDI

A reunião de ministros do Interior da União Europeia, realizada na manhã desta terça-feira (4), terminou com um entendimento entre os Estados-membros sobre a crise migratória na Espanha, provocada pela chegada de milhares de pessoas vindas do Marrocos em busca de melhores condições de vida. Para a UE, a crise foi causada, entre outros fatores, pela atuação de uma rede criminosa de contrabando de migrantes.

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"Houve entendimento comum sobre a necessidade de continuar combatendo de forma incansável as redes de contrabando de imigrantes, reforçar os processos de retorno, fortalecer as fronteiras da UE, aprofundar as parcerias com países terceiros e aprimorar a capacidade de antecipação a futuras crises", informou o Conselho Europeu em nota. O bloco também determinou apoio financeiro à Espanha, e reforço na segurança em regiões de fronteira.

O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, afirmou que a reunião foi construtiva e que todos reconheceram a resposta "imediata e eficiente" das autoridades espanholas. Após o encontro, ele informou que cerca de 70 mil dos 72 mil migrantes que entraram em Ceuta já deixaram o território espanhol, sem detalhar em quais condições isso ocorreu.

Sobre o suposto esquema de contrabando, Grande-Marlaska afirmou que os serviços de inteligência da Espanha não identificaram indícios de que uma travessia em massa para Ceuta fosse iminente. "Não houve nenhum relatório, nenhum aviso", declarou.

Apesar do entendimento entre os países, parte da União Europeia demonstrou preocupação com a situação. O comissário europeu para Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, disse não ver uma ligação direta entre os acontecimentos em Ceuta e a recente regularização em larga escala de migrantes sem documentos na Espanha. No entanto, acrescentou que a medida adotada pelo governo espanhol não foi vista como um sinal positivo pelo restante do bloco.

Além disso, Fernando Grande-Marlaska rejeitou uma proposta apresentada pela Itália, que sugeria utilizar recursos da União Europeia para financiar centros de deportação em países terceiros, para onde migrantes em situação irregular poderiam ser enviados.

A crise ocorreu dias após a entrada em massa de pessoas vindas do Marrocos, que levou milhares de pessoas ao enclave espanhol de Ceuta. Segundo as autoridades da Espanha, pelo menos 72 pessoas morreram durante as travessias.

Imagens mostram migrantes descansando na costa, próximos aos cordões policiais, enquanto forças de segurança e veículos militares permanecem mobilizados na região.

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