Trump diz que acordo com o Irã está concluído
Presidente dos EUA afirma que pacto foi concluído, autoriza fim do bloqueio no Estreito de Ormuz e diz que assinatura ocorre na próxima sexta (19), na Suíça


Presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca | Foto: Evan Vucci/Reuters - 10.06.2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (14) que o acordo com o Irã foi concluído. Em comunicado, Trump afirmou que autorizou a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e a remoção imediata do bloqueio naval norte-americano na região.
“O acordo com a República Islâmica do Irã está concluído. Parabéns a todos! […] Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, declarou.
O primeiro-ministro do Paquistão, país que atua como mediador no conflito, também confirmou o acordo e afirmou que houve o fim imediato das operações militares entre as partes.
“Após intensas negociações, temos o prazer de anunciar que o Acordo de Paz entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã foi alcançado. Ambos os lados declararam a terminação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes”, disse.
Segundo o premiê, a cerimônia oficial de assinatura está prevista para a próxima sexta-feira, 19 de junho, na Suíça. Ele também citou apoio de Catar, Arábia Saudita e Turquia nas negociações.
Em pronunciamento, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, também confirmou a finalização do acordo.
“Este processo de negociação foi longo. Diversas conversas e consultas foram realizadas nas últimas semanas com a mediação do Paquistão e do Catar. […] Apresentamos as emendas finais da República Islâmica do Irã ao texto, que foram aceitas, e o memorando de entendimento foi finalizado”, afirmou.
Teerã x Washington
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia indicado que o acordo com o Irã poderia ser assinado ainda neste domingo (14). A limitação do programa nuclear iraniano é uma das principais prioridades da política externa de Washington há décadas.
Em 2015, durante o governo de Barack Obama, foi firmado um acordo que restringia as atividades nucleares do Irã e permitia inspeções internacionais para garantir o uso exclusivamente civil das instalações. Em contrapartida, o país recebia alívio nas sanções econômicas.
O pacto, no entanto, foi abandonado em 2018 por Trump, sob a justificativa de que os termos eram favoráveis demais ao Irã. Após a saída dos Estados Unidos, Teerã ampliou o nível de enriquecimento de urânio — material que pode ser utilizado na produção de armas nucleares.
A gestão de Joe Biden tentou retomar o acordo, também com base na flexibilização de sanções, mas as negociações não avançaram.
Agora, em seu segundo mandato, Trump voltou a pressionar o governo iraniano a limitar ou encerrar o programa nuclear, alegando que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. O Irã nega e sustenta que suas atividades têm fins pacíficos, principalmente voltadas à produção de energia.
No início deste ano, representantes dos dois países participaram de rodadas de negociações classificadas como “positivas”. Dias depois, porém, Trump acusou o Irã de retomar ambições nucleares, mesmo após os ataques registrados em 2025, e autorizou novos bombardeios em parceria com Israel.
Em abril, Estados Unidos, Israel e Irã chegaram a um acordo de cessar-fogo, com o objetivo de viabilizar o avanço diplomático. Apesar de demonstrar otimismo com a mediação liderada pelo Paquistão, Trump afirmou que há alternativas caso o processo fracasse.
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