Trump avalia impor bloqueio naval a Cuba e barrar importações de petróleo, diz site
Debate interno na Casa Branca considera riscos humanitários de medida que ampliaria pressão histórica dos EUA sobre o regime cubano


Vicklin Moraes
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estuda impor um bloqueio naval contra Cuba com o objetivo de impedir a chegada de importações de petróleo ao país. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (23) pelo site americano Politico.
Segundo fontes ouvidas pelo veículo, há debates em curso dentro do governo sobre a necessidade de levar a estratégia a esse nível. A interrupção das remessas de petróleo da Venezuela — e a revenda de parte dessas cargas, que Havana utilizava para obter moeda estrangeira — já vinha impactando a economia cubana, que enfrenta dificuldades estruturais. Um bloqueio total das importações de petróleo, no entanto, poderia desencadear uma crise humanitária, risco que levou integrantes do governo a se posicionarem contra a medida.
No início do mês, Trump já havia ameaçado Cuba, afirmando que o país deveria chegar a um acordo “antes que seja tarde demais”, diante da perspectiva de perder o acesso ao petróleo e aos recursos financeiros venezuelanos. A declaração ocorreu após a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
A eventual derrubada do regime comunista cubano concretizaria um objetivo histórico da política externa dos Estados Unidos, que remonta ao embargo econômico imposto à ilha no início da década de 1960, em meio à Guerra Fria, após a Revolução Cubana liderada por Fidel Castro, que aproximou o país da então União Soviética e consolidou a adoção de um regime socialista.
Em 1962, o embargo foi formalmente ampliado, restringindo quase totalmente o comércio entre os dois países, além de limitar transações financeiras, investimentos e relações econômicas mais amplas. Na prática, a política proíbe empresas norte-americanas de negociar com Cuba e impõe sanções a companhias estrangeiras que mantenham determinados vínculos comerciais com a ilha, especialmente quando envolvem o sistema financeiro dos EUA. Ao longo das décadas, o embargo foi endurecido por leis como a Helms-Burton, que transformou as sanções em legislação e dificultou sua revogação sem aprovação do Congresso americano.









