Terremoto na Colômbia não tem ligação com Venezuela
Abalos recentes na Colômbia, Peru e Venezuela são "triste coincidência", diz sismólogo da USP
Caroline Vale
Terremoto atinge a Colômbia nesta segunda-feira (10). | Reprodução/Servicio Geológico colombian
Oterremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10) deixou dezenas de mortos, feridos e provocou danos em diferentes cidades. O tremor teve epicentro em San José del Palmar, no departamento de Chocó, e foi sentido em regiões como Bogotá, Cali, Manizales, Pereira, Medellín e Popayán.
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O tremor foi o mais forte registrado na Colômbia na última década, segundo o Serviço Geológico do país.
Diante da força do terremoto e da ocorrência de outros abalos recentes na América do Sul, o sismólogo Bruno Collaço, da Universidade de São Paulo (USP), explicou ao SBT News por que a região registra terremotos e avaliou se existe alguma relação entre os tremores registrados nos últimos meses.
Neste ano, a América do Sul já registrou diferentes terremotos, incluindo um abalo de magnitude 5,5 na fronteira entre Colômbia e Equador, em abril; os tremores de 7,2 e 7,5 na Venezuela, em junho; abalos no Peru, com magnitudes 5,1 e 3,7 em julho; e o terremoto de 7,4 na Colômbia, em agosto.
Terremoto na Colômbia
Segundo Bruno Collaço, a ocorrência de terremotos na Colômbia é esperada devido à localização do país em uma área de intensa atividade tectônica. A região está próxima do encontro entre a placa de Nazca, no oceano Pacífico, e a placa Sul-Americana.
“A Colômbia está bem próxima do contato entre a placa de Nazca, no oceano Pacífico, que ‘mergulha’ por baixo da placa Sul-Americana, no lado do continente”, explicou o especialista.
Esse processo é conhecido como subducção e ocorre quando uma placa tectônica se desloca para baixo de outra. A movimentação gera tensão e pode provocar terremotos de diferentes magnitudes.
De acordo com o sismólogo, essa dinâmica também afeta outros países da região. “Essa interação entre as placas gera tremores na Colômbia, no Equador, no Peru, no Chile, na Bolívia”, afirmou.
Por isso, Collaço destaca que os terremotos fazem parte da realidade geológica desses países. “A Colômbia está inserida em um ambiente tectônico no qual esses fenômenos são esperados.”
Terremotos no Peru, Venezuela e Colômbia estão relacionados?
Apesar da ocorrência de terremotos recentes em diferentes países da América do Sul, não há, segundo o especialista, uma relação direta entre os eventos.
“Toda a costa oeste da América do Sul e mesmo todos os países banhados pelo oceano Pacífico estão sujeitos à ocorrência mais frequente de terremotos”, explicou Collaço.
A região está inserida no chamado Cinturão de Fogo do Pacífico, uma área de intensa atividade sísmica e vulcânica. A concentração de terremotos ao longo da costa oeste sul-americana, inclusive, é conhecida há séculos. “Estes tremores em toda costa oeste da América do Sul é algo conhecido até mesmo pelos Incas”, afirmou.
No entanto, o especialista reforçou que os terremotos registrados no Peru, na Venezuela e agora na Colômbia não fazem parte de uma mesma sequência. “Os tremores do Peru, Venezuela e os de hoje na Colômbia não têm qualquer relação entre si”, disse.
Apesar disso, o sismólogo descartou a possibilidade de o terremoto provocar danos por aqui. “Não há qualquer chance de danos em território brasileiro”, explicou.
Isso acontece porque as ondas sísmicas perdem energia à medida que se afastam do ponto onde o terremoto ocorreu. “Conforme nos afastamos do epicentro, as ondas sísmicas são atenuadas (vão perdendo força) e já não causam problemas mais sérios”, afirmou.
Por que tantos terremotos foram registrados recentemente?
A sequência de terremotos observada nos últimos meses em diferentes pontos da América do Sul pode causar a impressão de que existe uma intensificação da atividade sísmica. No entanto, segundo Collaço, os eventos não indicam uma mudança no comportamento das placas tectônicas.
“Não é nada de anormal, apesar de ser uma coincidência temporal triste”, afirmou.
O especialista explicou que as placas tectônicas estão em movimento permanente, mas esse deslocamento acontece em uma escala de tempo muito diferente da percepção humana. “O movimento das placas tectônicas é contínuo e extremamente lento (da ordem de poucos centímetros por ano) e não é algo que se acelere na escala de meses ou anos”, disse.
Ou seja, a ocorrência de vários terremotos em um intervalo relativamente curto não significa, necessariamente, que a atividade tectônica tenha aumentado de forma extraordinária.
Collaço também explicou que terremotos de grande magnitude fazem parte do comportamento natural do planeta. Em média, são registrados anualmente cerca de 15 terremotos com magnitude igual ou superior a 7. Além disso, ocorrem mais de mil terremotos de magnitude 5 ou maior todos os anos. “Boa parte deles está concentrada justamente na borda do Oceano Pacífico”, destacou.
Por isso, a ocorrência de um terremoto forte na Colômbia, embora possa provocar destruição e vítimas, está dentro do contexto geológico esperado para a região. “O que temos observado está dentro do esperado para a região”, concluiu o sismólogo.
Terremoto na Colômbia não tem ligação com VenezuelaAbalos recentes na Colômbia, Peru e Venezuela são "triste coincidência", diz sismólogo da USPMundo2026-08-10T18:09:32.683ZO deixou dezenas de mortos, feridos e provocou danos em diferentes cidades. O tremor teve epicentro em San José del Palmar, no departamento de Chocó, e foi sentido em regiões como Bogotá, Cali, Manizales, Pereira, Medellín e Popayán. O tremor foi o mais forte registrado na Colômbia na última década, segundo o Serviço Geológico do país. Diante da força do terremoto e da ocorrência de outros abalos recentes na América do Sul, o sismólogo Bruno Collaço, da Universidade de São Paulo (USP), explicou ao SBT News por que a região registra terremotos e avaliou se existe alguma relação entre os tremores registrados nos últimos meses. Neste ano, a América do Sul já registrou diferentes terremotos, incluindo um abalo de magnitude 5,5 na fronteira entre Colômbia e Equador, em abril; os tremores de 7,2 e 7,5 na Venezuela, em junho; abalos no Peru, com magnitudes 5,1 e 3,7 em julho; e o terremoto de 7,4 na Colômbia, em agosto. Terremoto na Colômbia Segundo Bruno Collaço, a ocorrência de terremotos na Colômbia é esperada devido à localização do país em uma área de intensa atividade tectônica. A região está próxima do encontro entre a placa de Nazca, no oceano Pacífico, e a placa Sul-Americana. “A Colômbia está bem próxima do contato entre a placa de Nazca, no oceano Pacífico, que ‘mergulha’ por baixo da placa Sul-Americana, no lado do continente”, explicou o especialista. Esse processo é conhecido como subducção e ocorre quando uma placa tectônica se desloca para baixo de outra. A movimentação gera tensão e pode provocar terremotos de diferentes magnitudes. De acordo com o sismólogo, essa dinâmica também afeta outros países da região. “Essa interação entre as placas gera tremores na Colômbia, no Equador, no Peru, no Chile, na Bolívia”, afirmou. Por isso, Collaço destaca que os terremotos fazem parte da realidade geológica desses países. “A Colômbia está inserida em um ambiente tectônico no qual esses fenômenos são esperados.” Terremotos no Peru, Venezuela e Colômbia estão relacionados? Apesar da ocorrência de terremotos recentes em diferentes países da América do Sul, não há, segundo o especialista, uma relação direta entre os eventos. “Toda a costa oeste da América do Sul e mesmo todos os países banhados pelo oceano Pacífico estão sujeitos à ocorrência mais frequente de terremotos”, explicou Collaço. A região está inserida no chamado Cinturão de Fogo do Pacífico, uma área de intensa atividade sísmica e vulcânica. A concentração de terremotos ao longo da costa oeste sul-americana, inclusive, é conhecida há séculos. “Estes tremores em toda costa oeste da América do Sul é algo conhecido até mesmo pelos Incas”, afirmou. No entanto, o especialista reforçou que os terremotos registrados no Peru, na Venezuela e agora na Colômbia não fazem parte de uma mesma sequência. “Os tremores do Peru, Venezuela e os de hoje na Colômbia não têm qualquer relação entre si”, disse. E o Brasil? Há risco de ter terremoto por aqui? Tremores de grande magnitude podem ser percebidos a centenas ou até milhares de quilômetros do epicentro. Segundo Collaço, há relatos de pessoas que . Apesar disso, o sismólogo descartou a possibilidade de o terremoto provocar danos por aqui. “Não há qualquer chance de danos em território brasileiro”, explicou. Isso acontece porque as ondas sísmicas perdem energia à medida que se afastam do ponto onde o terremoto ocorreu. “Conforme nos afastamos do epicentro, as ondas sísmicas são atenuadas (vão perdendo força) e já não causam problemas mais sérios”, afirmou. Por que tantos terremotos foram registrados recentemente? A sequência de terremotos observada nos últimos meses em diferentes pontos da América do Sul pode causar a impressão de que existe uma intensificação da atividade sísmica. No entanto, segundo Collaço, os eventos não indicam uma mudança no comportamento das placas tectônicas. “Não é nada de anormal, apesar de ser uma coincidência temporal triste”, afirmou. O especialista explicou que as placas tectônicas estão em movimento permanente, mas esse deslocamento acontece em uma escala de tempo muito diferente da percepção humana. “O movimento das placas tectônicas é contínuo e extremamente lento (da ordem de poucos centímetros por ano) e não é algo que se acelere na escala de meses ou anos”, disse. Ou seja, a ocorrência de vários terremotos em um intervalo relativamente curto não significa, necessariamente, que a atividade tectônica tenha aumentado de forma extraordinária. Collaço também explicou que terremotos de grande magnitude fazem parte do comportamento natural do planeta. Em média, são registrados anualmente cerca de 15 terremotos com magnitude igual ou superior a 7. Além disso, ocorrem mais de mil terremotos de magnitude 5 ou maior todos os anos. “Boa parte deles está concentrada justamente na borda do Oceano Pacífico”, destacou. Por isso, a ocorrência de um terremoto forte na Colômbia, embora possa provocar destruição e vítimas, está dentro do contexto geológico esperado para a região. “O que temos observado está dentro do esperado para a região”, concluiu o sismólogo. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/terremoto-na-colombia-nao-tem-ligacao-com-venezuela
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